domingo, março 15, 2009

Minha Lusitania Paixão...

Mitologia e Religião


O registo da Mitologia nas Terras Lusitanas e Calaicas são muito escassas e somente com a ocupação romana é que começaram a existir inscrições relativamente aos deuses.

Em Portugal, Extremadura espanhola e Galiza encontraram-se diversos artefactos com dedicações aos deuses.

Os ensinamentos das tradições religiosas eram efectuadas oralmente não existindo qualquer registo escrito para nos podermos fundamentar como era exercida a dedicação aos deuses (rituais, orações, crenças, ...).

A invasão romana e a cristianização de todo o Império fez com que algumas culturas se perdessem no tempo. Mesmo assim ficamos com algumas inscrições de historiadores gregos e latinos como também alguns artefactos.

As aras votivas do início da invasão foram um grande marco para a história de diversas tribos existentes na Península Ibérica. Não nos podemos esquecer que foram um povo bastante influenciado por outros: Fenícios, Gregos, Cartagineses, Suevos, Visigodos, Celtas e Celtiberos.


Na Lusitânia e Callaeci o culto era politeísta excepto na tribo Cónia que era monoteísta.

O deus dos Cónios era Elohim, mas as restantes tribos veneravam vários deuses não se podendo considerar que a religião destes seja única, mas uma pluralidade delas.

Apesar disso existiam alguns pontos em comum, tais como, o culto lunar e solar, e , o culto aos ancestrais e aos mortos.

Também existem cultos tutelares de tribos e de locais. Nestes locais adoravam-se árvores, rios, ribeiros, lagos, montanhas,...

Na prática religiosa e de forma a apaziguar os deuses estes povos praticavam a imolação.

Sacrificavam animais, tais como, a cabra, a ovelha, o touro, o cavalo, e o homem sendo que estes dois últimos eram sacrificados de forma excepcional utilizando para este efeito os prisioneiros de guerra.

Uma das características principais das religiões da Lusitânia eram os presságios ou clarividência, por isso utilizavam os astros, as entranhas de animais, a observação das aves e o fogo para o acto de adivinhação.


Os deuses Lusitanos e Calaicos teriam essencialmente 3 funções:

de poderes infinitos (justiça, bem,...),

de guerra (bravura, força física, soberania),

e,

de fecundidade e bem-estar.

Por isso verificamos alguns deuses mais venerados:

Quangueio (o criador, a fecundidade), Arência e Arêncio (guerreiros, a força), e, Trebaruna (a Soberania) pelos Lusitanos;


Bande (a soberania), Nabia (a fecundidade) e Reve (a força) pelos Calaicos;

Endovélico (o poder civil), Atégina (a produção social, a fecundidade) e Runesius (a classe militar) pelos Célticos;

e, finalmente os Cónios que adoravam o deus único Elohim.

Acredita-se que a morada divina dos deuses seria a Constelação da Barca ou a Ursa Maior.

O Panteão Lusitano e Calaico é bastante rico apesar de existir só alguma centena de registos.

No entanto acredita-se que no passado existira mais de mil deidades sendo que na sua maioria relacionada com locais, por exemplo, montanhas e rios.


Fonte: Brumas da Lusitânia

2 comentários:

Escarapão disse...

Um postal fantástico sobre as nossas raízes. A especificidade Cónia que só muito recentemente aprofundei e que esta "casa" tem ajudado faz-me crer que vale cada vez mais a pena tentar defender a Paixões Lusitanas.
Cumprimentos

Pedro Silva disse...

Como chegaram à conclusão que os Cónios tinham como deus Elohim?