quinta-feira, maio 31, 2012


ATAEGINA
A Deusa Mãe

Atégina ou Ataegina é a Deusa do renascimento, pois o seu nome é de origem celta e significaria renascida, ou seja, esta era uma Deusa ligada ao culto da fertilidade que tal como os frutos da terra que renascem todos os anos, também desaparecia sazonalmente no submundo para poder renascer. Também Deusa da natureza e da cura na mitologia lusitana. Viam-na como a Deusa lusitana da Lua.
Não se sabe ao certo qual a origem do seu culto, provavelmente era uma Deusa indígena que foi primeiro celtizada, tal como indica o seu nome e depois romanizada. Esta Deusa acabou por ser conotada pelos Ibero-Romanos a Proserpina e a Libera. Com Proserpina, tinha a semelhança de ser Deusa da fecundidade dos campos e dela acabou por ganhar o carácter infernal que tinha como mulher de Plutão. Libera por seu lado era a primitiva Deusa da fecundidade agrária, irmã de Liber (Baco). Atégina acabou assim por ficar associada a estas duas Deusas do panteão romano. 
Para além do facto de ser uma Deusa da fecundidade, ligada ao renascimento da natureza e ao germinar das sementes, o seu carácter infernal fazia com que se lhe fossem consagradas devotio. A devotio era uma cerimónia religiosa que tinha como objectivo fazer mal a alguém convocando através de fórmulas as divindades infernais para que se apoderassem dessa pessoa. Esta devotio servia para lançar uma maldição, que poderia ir de pequenas pragas à morte. O animal consagrado a Atégina era o bode ou a cabra.
Estão também atribuídas a esta Deusa características de Deusa infernal, pois foi encontrada uma inscrição de devotio na qual se lê “Dea Ataecina Turi/brig(ae) Proserpina /per tuam maiestatem / te rogo oro obsecro / uti vindices quot mihi /furti factum est; quiquis / mihi imudavit involavit / minusce fecit [e]a[s res] q(uae) i(nfra) s(criptae) s(unt) /túnicas VI, [p]aenula / lintea II, in[dus]ium ~rabo~/ius I. C…m ignoro i…ius.” (Deusa Ataecina Turubriga Proserpina, pela tua majestade eu peço, rezo e imploro que vingues o roubo que me foi feito. Quem quer que me tenha subtraído, roubado, pilhado as coisas abaixo vão descritas: seis túnicas, dois mantos de linho, uma peça de roupa interior…).
Atégina e Endovélico, formavam um par divino que reinava nos Infernos.
Em algumas inscrições, esta Deusa acabou também por aparecer ligada à medicina, sendo apelidada pelos dedicadores de Servatrix, ou seja, conservadora da saúde dos homens. Tal como ao Deus Endovélico, também era vasto o grupo de pessoas que se dirigiam a Atégina, escravos, homens livres, indígenas e romanos.
Em algumas inscrições o nome da Deusa aparece apenas representado por um A, o que mostra a familiaridade com esta Deusa e vários são os epítetos a ela atribuídos, tal como Dea, Domina, Sancta, Invicta, Servatrix, provando assim a sua importância. Muitas vezes esta Deusa é representada com um ramo de cipreste.
Atégina era venerada na Lusitânia e na Bética, onde existiram santuários dedicados a esta Deusa, especialmente em Turóbriga, de onde seria natural, cidade que segundo Plínio se situava na Beturia Céltica, região na margem do rio Guadiana. Também em Elvas (Portugal), Mérida e Cáceres, na Extramadura espanhola, além de outros locais, especialmente perto do Rio Guadiana, esta Deusa era venerada. Ela era uma das principais Deusas em locais como Myrtilis (Mértola dos dias de hoje), Pax Julia (Beja), ambas cidades em Portugal.





quarta-feira, setembro 21, 2011

Sozinho...sempre e nunca!


Nunca Me Tinha Apaixonado VerdadeiramenteEscrevi até o princípio da manhã aparecer na janela. O sol a iluminar os olhos dos gatos espalhados na sala, sentados, deitados de olhos abertos. O sol a iluminar o sofá grande, o vermelho ruço debaixo de uma cobertura de pêlo dos gatos. O sol a chegar à escrivaninha e a ser dia nas folhas brancas. Escrevi duas páginas. Descrevi-lhe o rosto, os olhos, os lábios, a pele, os cabelos. Descrevi-lhe o corpo, os seios sob o vestido, o ventre sob o vestido, as pernas. Descrevi-lhe o silêncio. E, quando me parecia que as palavras eram poucas para tanta e tanta beleza, fechava os olhos e parava-me a olhá-la. Ao seu esplendor seguia-se a vontade de a descrever e, de cada vez que repetia este exercício, conseguia escrever duas palavras ou, no máximo, uma frase. Quando a manhã apareceu na janela, levantei-me e voltei para a cama. Adormeci a olhá-la. Adormeci com ela dentro de mim. 

Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. A partir dos dezasseis anos, conheci muitas mulheres, senti algo por todas. Quando lhes lia no rosto um olhar diferente, demorado, deixava-me impressionar e, durante algumas semanas, achava que estava apaixonado e que as amava. Mas depois, o tempo. Sempre o tempo como uma brisa. Uma aragem suave, mas definitiva, a empurrar-me os sentimentos, a deixá-los lá ao fundo e a mostrar-me na distância que eram pequenos, muito pequenos e sem valor. E sempre só a solidão. Sempre. Eu sozinho, a viver. Sozinho, a ver coisas que não iriam repetir-se; sozinho, a ver a vida gastar-se na erosão da minha memória. Sozinho, com pena de mim próprio, ridículo, mas a sofrer mesmo. Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. Muitas vezes disse amo-te, mas arrependi-me sempre. Arrependi-me sempre das palavras. 

José Luís Peixoto, in 'Uma Casa na Escuridão'


quinta-feira, junho 30, 2011

PENSAMENTO ÉPICO!

LENDA DA BATALHA DE LENA, NA SUÉCIA 

Odin com a Sua lança Gungnir e acompanhado dos seus dois corvos, Hugin (Pensamento) e Munin (Memória), pairando por sobre a batalha


31 de Janeiro de 1208 fica para a História como o dia da Batalha de Lena, travada em Kungslena, área de Västergötland, Suécia.
Frente a frente estavam o rei Sverker e o príncipe Eric, ambos suecos.
Sverker, amigo da Igreja, trazia consigo um imenso exército dinamarquês (fornecido pelo rei dinamarquês Valdemar o Vitorioso), composto de entre doze e dezoito mil homens.
Eric, por seu turno, liderava uma força militar, que, mesmo incluindo uns quantos auxiliares noruegueses, ficava-se numericamente entre os sete e os dez mil efectivos.

Foi então que, segundo conta a lenda, os Suecos viram subitamente Odin cavalgando o Seu cavalo de oito patas, Sleipnir. Há várias versões sobre o modo como o Deus ofereceu a vitória aos Suecos; numa delas, Odin cavalgou diante da formação de batalha sueca.

Mais diz a lenda que, nas proximidades do local em que se deu a refrega, avistou-Se um cavaleiro dum só olho com um chapéu de abas largas e um manto azul que pediu a um ferreiro que pusesse ferraduras nos cascos do Seu cavalo. O desconfiado ferreiro perguntou onde é que o estranho tinha passado a noite anterior - em resposta, o estranho referiu sítios tão distantes dali que o ferreiro não acreditou no que ouvia. O enigmático cavaleiro disse que tinha estado durante muito tempo no norte e tomado parte em muitas batalhas, mas que agora ia para a Suécia. Quando o Seu cavalo foi devidamente munido com as ferraduras, o estranho declarou «Sou Odin» e partiu. No dia seguinte, travou-se a batalha de Lena.






Fonte





sexta-feira, junho 24, 2011

Solstício de Verão

Stonehenge - Summer Solstice 2011








Iceland

Summer Solstice and Midnight Sunset 2011 Reykjavik 






TRIBUTO A ODIN, Deus dos Deuses...






 Poemas Vikings


O Aett de FreyrFehu (Fé) - o Gado"A riqueza é consolo para todos,
mas há de partilha-la aquele que espera lançar
sua sorte para julgamento perante os deuses."
Palavras chaves: dinheiro, sucesso, riqueza, fartura, fertilidade, prosperidade, abundância.
Galdr de Fehu:



"Fonte de fartura, feno e ferro fortes, santificados sejam os feitos da fé. Que floresça as favas da felicidade e fartura! Força de Frey e Freyja, flagelo aos flocos do frio frígido! Fervendo fórmulas, forjando efeitos, flertando fervor, fluindo com o fogo fátuo que fecunda as florestas formosas! Fênix fiandeira das feitiçarias, fruto fecundo, fita-me! Filho da flama feroz, forneça força e fertilidade! Falcão das fábulas, fênix feroz, efígie de fogo, forja-me felicidade e fartura! Fehu, Fehu, Fehu!"
Está associada ao deus nórdico Freyr, e relativamente à Freyja por conseqüência. Frey é o deus fálico da paz e da abundância, bem como aquele que proporciona a fertilidade.
A mensagem atrás da estrofe do poema está envolta da prosperidade e posse material, mas sem que a riqueza se torne um fardo. Combinada com outras runas, toda esta riqueza pode tomar outros significados, como riqueza espiritual, por exemplo. Ela fala de uma busca cuja jornada promete um tesouro. Todo esforço deverá ser bem recompensado.
A runa libera a mente para trabalhos psíquicos, e pode servir como um canal para a transmutação de poderes e energias, ou ainda para atrair a fortuna.

Uruz (Úr) - O Touro
"O boi selvagem é destemido e de altos chifres,
um feroz lutador que palmeia as charnecas."

Palavras chaves: força, virilidade, mudança, rompimento, destemor, saúde, progresso, boa sorte.
Galdr de Uruz:"Touro e urso, muro duro, urna de luz, expurgo de urzes do triunfo. Útero sufocante, sustenta a cura em meu mundo. Cultivas rudez ao vulcão, suntuosidade ao tufão, triunfo à subversão, fecunda as trufas da Última Thule. Fúria rubra que muda o urlog suplicante. Perfurador da cruz, suástica urticante. Alü, sumo dourado, suor asatru vanatru. Música que cura e muda. Surto que cura e muda. Touro furioso, subverta o mundo ao meu triunfo. Urur, Urur, Urur!"
A mensagem subliminar desta estrofe fala da força bruta e selvagem que traz a virilidade do indivíduo. Esta virilidade dobra a vontade alheia, força acontecimentos e cura. Ela também significa engrandecimento espiritual e uma força que inspira e impulsiona o ser em sua jornada, e, portanto, simboliza a busca da iluminação pessoal com plenitude.
O Chifre, na Velha Religião nórdica, simbolizava a energia vital, a sexualidade (cada extremidade trazia um sexo) e a força. Portanto, chifres são símbolos de regeneração e crescimento, física e espiritualmente. Em uma ponta o chifre é o útero e na outra é o pênis. Por fora, o chifre é o falo que está pronto para lançar o sêmen da vida que fertiliza a terra. Por dentro, é oco como a vagina que é o receptáculo da vida, cujo túnel vai até as entranhas do divino feminino.
A runa fala também de mudanças forçadas, que exigem preparo para encarar a situação. Trata da manutenção da saúde física e mental.

Thurisaz (Thurs) - O Espinho"Os espinhos são muito aguçados e podem ferir se
agarrados por alguém que veio descansar no meio deles."

Palavras chaves: proteção, boas novas, aviso, ferimento, resistência, contemplação, observação.
Galdr de Thurisaz:"Trovão que atravessa o céu em direção à terra, proteja-nos e trabalhe em nossos intentos. Tranque os Thurses longes em tuas tempestades terríveis. Dilúvio que draga com tormenta. Tacape, martelo, tenaz e tocha, trabalhem em tempo por nossos tributos! Delega-me discernimento e temperança. Traga o talismã contra as trapaças dos Jöttun! Thurisar, Thurisar, Thurisar!"
A estrofe fala das pequenas provações da vida, que precisam ser superadas pelo guerreiro. A picada de um espinho pode não se grava, mas quem cai num espinheiro pode ficar seriamente ferido. E, se não formos capazes de controlar as pequenas adversidades não conseguiremos o autoconhecimento e progresso.
A runa está associada a Thor, deus do trovão. Ele é o inimigo dos gigantes. Traz proteção contra os inimigos. Aviso contra os maus presságios. Fornece a força para resistir contra as provações que chegam.
Ela fala também de um momento de contemplação, de observação, pedindo paciência para agir, adiando planos.O espinho que fere o inimigo, e incomoda a nossa jornada, também é o mesmo que protege a planta contra o predador.

Ansuz (Áss) - A Palavra
"A boca é a origem de todo discurso,
Contém sabedoria, traz conforto
Ao saio e abençoa a todos."

Palavras chaves: sabedoria, eloquência, oratória, inteligência, inspiração, conselho, herança, comunicação, revelação.
Galdr de Ansuz:
"Auspícios e sabedoria traga-me. Mãe da inspiração e da inteligência. Que assim a visão venha a mim! Clara e alva como a água divina, fugaz como o ar! Habilidosa como a espada que dança! Palavra que força a vontade! Algoz altíssimo, cuja boca é desperta, traga eloqüência e prazer! Que a palavra seja a vida e a fúria, que a inteligência fale por nossas almas! Comunicação com Aesgard e com toda Yggdrasil, seja feita! Assim, seja! Ansur, Ansur, Ansur!"
A runa está associada com Odin, como o mestre do conhecimento. Ela fala sobre os poderes da comunicação e da palavra, de como falar suavemente. Associa-se às canções sagradas, à poesia, ao Galdr, aos encantamentos mágicos, à clarividência, inspiração divina, êxtase. Em magia ela é o poder de sugestão através do verbo, e a facilitadora da inspiração mágica.
Raido (Reid) - O Carro
"Montar um cavalo, para um herói,
Na sala é fácil.
Mais difícil é montar um
Grande cavalo percorrendo as milhas dos caminhos."

Palavras Chaves: viagem, visita, notícias, segurança nas jornadas, sucesso em empreitadas, vitória em trajetos.
Galdr de Raido:"Rota furtiva, carro da vitória. Razão do despertar. Triunfo dos Aesir, carro dos Vanir. As rodas vorazes percorrem a terra e o mar, cortam o ar em direcção ao interior do universo. Corre ao equilíbrio do ser, rasgando a relva das florestas alegres. O luar brilha sobre as rodas das carruagens daqueles seres que estão a viajar e reinam sobre as rotas. Nas terras da alegria e da fartura sou esperado com cerveja e carne. No lar de meus ancestrais já mortos eu retornarei como herói e assim me reúno como herdeiro das ricas tradições do norte! Carro solar proveja triunfo e harmonia nas estradas da terra! Raidu, Raidu, Raidu!"
A estrofe fala de como ficar parado no lar falando da vida é infrutífero e que na realidade os valores são provados no mundo exterior, na ação. Uma jornada, uma viagem traz experiência, exige preparo e pode se concluir em recompensa.
A runa fala da distância, de uma viagem, de uma jornada. Ela é uma runa positiva que desejará acima de tudo uma boa conclusão para qualquer trajeto, seja do indivíduo, seja do visitante, seja de uma mensagem.
A runa também fala do equilíbrio de todas as coisas, e da necessidade de isto acontecer. Os excessos serão cortados, e as necessidades supridas.