sábado, julho 04, 2009

Dizeres Algarvios - Não Podem ficar esquecidos!

Expressões algarvias

Açoteia: terraço
Desbrugar: descascar favas ou ervilhas
Os telhados estão baixos: as paredes têm ouvidos
Laré: maçado
Mata-mata: Latido continuado dos cães durante a noite
Cozer batata-doce: ressonar
Estrafega: labor contínuo para acabar um trabalho que tem limite de efectivação
Alagar tremoços: preparação dos tremoços que consiste em deixar os tremoços de molho durante oito dias Negritona água corrente da ribeira.
Meu avó: em todo o Algarve pronuncia-se assim o substantivo masculino avô
Balecas: tratamento familiar para Manuel
Arranca pinheiros: homem baixo e muito magro
Feniscadinho: muito magro
Franquelim: pessoa fraca
Aportelência: ousadia
Fura-pasto: homem activo, enérgico, audacioso e atrevido
Fazer meia azul: namorar
Limpar o saco: desabafar
Arreata: lábia
Baldear: enlouquecer
Cação: corpo nu
Cagorro: susto
Moga: sonsa
Patochadas: tolices
Vir nas horas dum cabrão: vir a toda a velocidade
Tónica: diminutivo muito comum de António
Meter graveto: meter-se com alguém
Lambaré: paleio
Alvoriado: que anda com a cabeça no ar por causa do sexo oposto
Dar dói, chorar faz ranho: resposta negativa a um pedido
Marafado: furioso
Mecha: expressão de aborrecimento que é um eufemismo de merda
Ala-clara: lacrau
Alcofinha: alcoviteiro
Bábá: pessoa mole, apalermada
Cabeça de azinho: pessoa pouco inteligente
Cabaço: recusa de convite para dançar ou namorar
Sarrafusca: bailarico
Falejar: dizer mal
Ter sonhas: ter prenúncios
Bichaninha: mulher intriguista
Despacha-recados: pessoa que ouve aqui e conta além
Apelho: inimizade
Descabeço: zaragata
Tibornada: pândega em que várias pessoas se juntam para comer tibornas ( Pão acabado de sair do forno, a que se junta um fio de azeite um dente de alho)
Afegão de ganas: apertão de goelas
Gaitona: vadia
Canoeiras: pernas magras
Divertir águas: urinar
Bela-luísa: Lúcia-lima
Belisco: pedaço
Ãibra: fome
Agença: alimento
Deitar-se à paixão: entregar-se ao desgosto
Ramalhudo: olhos grandes, pretos, pestanudos e com sobrancelhas espessas
Alagartada: colorida
Bajôja: desleixada
Besoirar aos ouvidos: importunar com palavras monótonas
Carpintina: lamúria

In “Dicionário do Falar Algarvio” de Eduardo Brazão Gonçalves


--------------------------------------------------------------------



CASTRO MARIM


Dizeres de Castro Marim, alguns já esquecidos pelo tempo...


Aberruntar
Prever/Sentir
A-brado
À distância a que se pode ouvir um brado: perto
Abuscar
Buscar
Acéfa
Ceifa
Acefare
Ceifar
Acraditar
Acreditar
Ademorar
Demorar
Aldeaga
Aldrabão, troca-tintas.
Alguér
(do lagar) Pia da lagareta o nde assentam as capachas contendo a azeitona moída
Almano
Álamo
Alvoredo
Arvoredo
Amigado
Que vive maritalmente
Andémos
Andamos
Arrana
Arregoado
Diz-se do figo quando fica aberto devido ao excesso de calor.
Arreigota
Raiz de esteva usada para lume.
Aventar
Jogar fora.
Bartolo
Grande naco de pão
Belancia
Melancia
Berculose
Tuberculose
Bicha
Víbora
Boguengo
Frutos atrofiados, que não se desenvolveram, melancias melões abóboras.
Borra veredas
O mesmo que borra-botas
Borra-botas
Profissional de fraca qualidade cujo trabalho é deficiente.
Buchada
Estômago, comer à bruta
Cagaloso/a
Pessoa sensível, medrosa.
Caimonêta
Camioneta
Caramujo
Fruto que não desenvolveu, mirrado.
Carcachada
Gargalhada, risada (termo espanhol)
Cascurraço
Soco, murro, sopapo.
Catalão
Figura imaginária para amedrontar as crianças, dando ideia de vagabundo, Andrajoso, mal-vestido.
Caxa
Caixa
Chambarca
Mulher gorda e com pouca apresentação.
Chameceira
Pessoa que descura a higiene e o aspecto exterior.
Charazes
Matos cerrados
Charouco
Vento desagradável (talvez Sirouco, vento que sopra do norte de África.
Colindra
Cobra de água.
Consolança
Consolação
Corcha
Cortiça (termo espanhol)
Corcho
Cortiço
Custia
Tosquia
Empachado
Pessoa que sofre de obstrução intestinal. Pessoa complicativa e com dificuldade em resolver qualquer problema. Enrascado.
Empanzinar
Comer em demasia até abarrotar.
Encalitro
Eucalipto
Enfusa
Bilha
Engofado
Com pouca energia, adoentado.
Enlêvo
Aleive, calúnia
Entenguido
Cheio de frio
Esgarrão
Aguaceiro
Farranchão
Espantalho, que faz figura de espantalho, mal vestido. Disfarce carnavalesco
Feijão careto
Feijão frade
Feto
Fedor, deitar feto, cheirar mal
Fezes
Canseiras, preocupações.
Forra
Fêmea que não engravidou
Gabiru
Pessoa que não tem um comportamento decente, a quem se dá pouco crédito.
Galga
Amó superior, ou girante, do moinho de moer azeitona
Gimão
Presunto
Gornir
Grunhir
Jardo/a
Ovino cuja lã é arruçada, nem preta nem branca.
Laborda
Porcalhão, pessoa com mau aspecto.
Lambareiro
Pessoa que não consegue guardar um segredo.
Lavajão
Porcalhão
Lavajo
Charco o nde os porcos se banham
Lavarito
Gritaria, barulho
Lorpa
Pessoa que come em excesso, que vive para comer.
Lucra
Pequeno batráquio que emite um som agradável nas tardes chuvosas e que se houve a grande distância.
Ludra
Água ludra, água barrenta.
Lusencús
Pirilampos
Malino
Maligno, mau. (termo espanhol).
Marfado
Irritado, zangado. No barlavento algarvio diz-se marafado.
Marinota
Pateta, que não acerta uma.
Marruço
Teimoso
Meceira
Sujidade, porcaria.
Mengragado
Coitado, desgraçado, pessoa que merece compaixão.
Nuvrados
Nuvens
Oxaria
Tralha, conjunto de tarecos.
Panco
Parvo, estúpido, palerma.
Panzina
Pessoa gorda, com pouco actividade.
Pásseno
Pássaro
Patear
Pisar
Pejada
Grávida
Pitrole
Petróleo
Prantar
Pôr, colocar
Sapaleiro/a
Pessoa anafada, Tem relação com o gado ovino e bovino criado nos sapais que devido ao melhor pasto têm uma maior corpulência e gordura.
Sota
Mulher matreira, ardilosa.
Sovão
Suíno gordo, apto para a matança.
Tabanezo
Idiota
Talêga
Saco de pano
Tramela
Pessoa com as sua faculdade em declínio com dificuldade em resolver qualquer problema.
Traveta
Mais ou menos o mesmo que tramela.
Trinca espinhas
Pessoa magra de fraca aparência
Trugia
Conjunto de objectos de pouco valor
Zorra
Raposa, mulher matreira.




----------------------------------------------------------------



Outros dizeres



"ervilhanas"
"alcagoitas" - Amendoins
"cagaitas" - Amendoins
"moss, má que jêtes"
"moss deb"
"capacho" - Tapete
"griséus" - Ervilhas


Alevantar
O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.


Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.


Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.


Capom
Porta de motor de carros que quando se fecha faz POM!


Destrocar
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.


Disvorciada
Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.


É assim.
Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais.


Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas.


Êres
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.


Falastes, dissestes.
Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, TU FALASTES.


Fracturação
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial.Casa que não fractura... não "predura".


Inclusiver
Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira.Também existe a variante 'Inclusivel'.


A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?


Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA.Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.


Númaro
Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim,acho um bom númaro!


Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.


Perssunal
O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol.Ex.: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.


Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'.


Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um'prontus'! Fica sempre bem.


Prutugal
País ao lado da Espanha. Não é a Francia.


Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nosso pseudo-intelectuais.Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.


Stander
Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis.O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da cromagem'.

Tipo
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?

Treuze (o número 13)





-----------------------------------------------------------------







ALGARVIADAS:

Boas uvas dão bom vinhe

Bons marmelos marmelada

Se algum errar o caminhe

Nã chega a servir pra nada.



Palavras brincando são texotes

Burro aos coices são pinotes

Saltos brincando são sortes

Moços altos são virotes.



Vou voltar ao meu Algarve

E às minhas Algarviadas

Onde o mau é um alarve

E o engraçado diz piadas.



Extremidade é barbela

Litoral chama-se bêra mar

Furador diz-se uma sevéla

Aqui adquirir é acarear.

- Algarviadas, António Vieira Nunes.
(Trata-se de um livro que reúne termos algarvios que o autor pretende que não sejam esquecidos.)

-------------------------------------------------------------------


[...] Nã sê premode quem, este ano, tanto se faz ê cá e minha Maria c'm' os mês compadres, pusemos-se a pôco com o Dia da Espiga, chigô-se às béspras e inda nã se tinha combinado coisíssema nenhuma com respêto ô que fazer.

A gente usa a ir tôdes juntos à missa campal do Barranco dos Pisõs e, este ano, tamém tinha ôvisto d'zer qu' havia lá festa. Mái nunca liguí cá a isso e contava qu' a minha Maria e c'mad' C'stóida t'vessem combinadas e arrenjassem uma buchazinha, a tempo e horas, p' à gente c'mer lá.

Mái as marafadas, c'm' ê cá e o mê compad'e Jôquim do Barranco nã se falasse no caso, tamém nã t'veram p'a moer a cabeça com isso e, já na quarta bem de nôte, inda a coisa 'tava munto tremida.

Mái a minha c'mad'e C'stóida havera de 'tar já im cudados e, atão, quái c'm' quem nã quer a coisa, dé uma fugida aqui ô mê monte, 'tava a gente a cear, bate à porta e dá de vaia:

- C'mad'e Maria!...

Diz a minha:

- Antre, c'mad'e C'stóida. O pestigo 'tá só incostado... Ponha o braço p' drento que chega à tramela...

De manêras que, a m'lher lá antrô, falô à gente e desata logo a prècurar:


- Mái atã, amanhão mecêas nã vâ a banda nenhuma?... Dia da Espiga...

- Atã, meceas nã d'zeram nada... A gente cudava que se ficava tôdes ô monte...

- Qual o quem!... Quinta-Fêra d' As-sunção nã se pode fazer coisíssema nenhuma de trabalho... É o dia mái santo do ano, c'madre... S' os passarinhos sabessem, nem ô ninho iam nesse dia!...

- Sempre tenho ôvisto d'zer...

- Olhe, ê cá inda nã tenho nada im orde, mái, nem que nã me dête esta nôte, vô-me arrenjar ali qualquer coisinha e im casa é que nã fico... O qu' 'e que me diz, c'mad'e Maria?...

- Ê cã... tamém nã tenho assim nada a jêto, mái nã hê-de dar arrenjado tamém p' aqui quasequer coisinha p'a nã se passar fome?...

- Atã e mecêa, compd'e Refóias, nã l'e parêce qu' ê tenha r'zão?...

- Tem, sa senhora, tem c'madre...

D'jando 'tava ê cá qu' elas dessem ordes à vida e arrenjassem uma bucha... Mái calí-me munto bem caladinho qu' aquilo era caso p'a m'lheres nã era p'ra mim... Ô certo, ô certo é qu' elas lá arrenjaram o que munto bem intenderam e, Dia de Espiga, semp'e se foi até ô Barranco dos Pisõs.

D'zer a verdade, este ano, béque-me nã 'tava lá assim tanta famila c'm' jã tenho visto d' ôtras vezes. Mái o mê compad'e Jôquim nã 'tava lá munto certo nisso. Nã falando no ti Manel dos Pôrtos, qu' é um coisinho tem-môso, e des que nã era nada assim. [...]


Retirado do Blog O Parente de Refóias

EM DEFESA DA NOSSA PÁTRIA ANCESTRAL - ENTREVISTA COM OS SENHORES!

EM DEFESA DA NOSSA PÁTRIA ANCESTRAL


Herança. Cultura. Tradição. Todas palavras com um significado muito particular para os Sangre Cavallum. Para perceber melhor o que significam e para discutir os seus dois mais recentes trabalhos, falamos com B. Ardo, o motor criativo de uma das melhores bandas folk nacionais.


Quando se deu a génese de Sangre Cavallum?
Foi num Inverno há dez anos atrás. O interesse pela música como elemento mágico e criador vinha dos anos 80 onde todos tivemos experiências diversas. O passo para Sangre Cavallum deu-se pela necessidade de cantar a Callaecia, cantar a nossa terra e as suas tradições. Para o efeito começamos a usar instrumentos tradicionais em bárbaro convívio com os modernos equipamentos de hoje. Juntámo-nos pela luta espiritual que nos une e pela vontade de percorrer o nosso próprio caminho. Assim quisemos criar a nossa música sem vassalagem às imposições culturais, leia-se genocídio cultural, das sociedades modernas.

A nível musical, os membros da banda têm formação académica na área ou aprenderam sempre com base na prática?
Apenas um elemento, a Corinna Ardo, tem formação clássica de piano, instrumento que por ora raramente usámos. Tal como eu, os restantes elementos (Jorge Ricardo, R. Coutinho, A. Rangel e Emanuel Melo da Cunha) são autodidactas ou com alguma formação tradicional. Somos oriundos de áreas como o rock alternativo de 80, o punk, a música experimental ou o folclore minhoto.

Quais são as principais referências e influências na sonoridade de Sangre Cavallum?
Concerteza que fomos influenciados por bandas como Death in June, Sol Invictus ou Joy of Life, ou ainda Joy Division, And Also the Trees, Test Department ou Bauhaus. Do lado do folk os eternos Malicorne, Banda do Casaco, Milladoiro, Steeleye Span ou Alan Stivel. Contudo, parece-nos que a maior influência, aquando na formação da banda, veio dos grupos de gaiteiros mirandeses, dos pastores, dos cantares de trabalho e dos arrepiantes grupos de Zé-pereiras que muito estimámos desde do Vale do Sousa ao Alto-Minho.

E qual o papel do folclore tradicional nos vosso trabalhos?
Há elementos tradicionais do Norte de Portugal e da Galiza que se podem detectar na nossa música. Outros são mais sublimes ou até se encontram ocultos no interior dos temas. Não há uma preocupação excessiva quanto à autenticidade. A tradição é uma sementeira viva e criadora, cada intérprete vai acrescentando a sua marca e os elementos da sua realidade e da sua memória. Não fazemos música de época, podemos perfeitamente combinar um instrumento com 150 anos e um qualquer software e daí resultar uma canção. A tradição não é uma relíquia dentro de um armário, é antes um fogo vivo.

É notável a quantidade de instrumentos utilizados na criação da vossa música. Quão importante é o seu papel no contexto de Sangre Cavallum, musicalmente e socialmente?
Cada instrumento conta uma história. De cada um brota uma musicalidade, uma linha melódica que muitas vezes não se inventa noutro instrumento. Há uma riqueza tímbrica que não se repete e que advém das madeiras, do construtor e da vida a que o instrumento esteve sujeito. Normalmente preferimos os instrumentos em segunda-mão ou então feitos à nossa medida nos nossos amigos construtores – que nas mãos gretadas guardam magias antigas, música e tradição.

Desde a edição da vossa primeira gravação até ao primeiro álbum decorreram cerca de 6 anos, tendo “Pátria Granítica” e “Barco do Vinho” saído 2 anos depois. Foram-se tornando mais produtivos ao longo dos anos?
Os lançamentos não são prioritários, temos outros interesses ligados à música que não passam pelo registo sonoro e pela sua divulgação. Sempre houve um bom ritmo de trabalho e o nosso arquivo é hoje muito extenso, é o nosso maior património. Nessa altura gravámos mais dois álbuns não editados e outros temas para lançamentos futuros. A explicação é simples, não trabalhámos sob qualquer pressão editorial. Há apenas a vontade autónoma de editar, ou não, em determinadas datas e circunstâncias.

Com dois trabalhos lançados no mesmo ano, quais são as principais diferenças entre eles?
A maior diferença reside na temática. As diferenças musicais em nada nos inquietam, fazemos sempre o que gostámos. O facto de haver um cruzamento entre os dois projectos não altera o processo criativo. Conhecemo-nos bem e sabemos como cada projecto trabalha. Em termos de gravação há algumas diferenças. Houve partes que foram gravadas presencialmente enquanto outras se dependeram da troca postal.

Todo o conceito lírico de “Pátria Granítica” gira em redor do legado histórico dos nossos antepassados. Quais serão as características principais desses tempos que não consideram existir actualmente?
Honra, fidelidade, intolerância e protecção familiar são elementos de uma visão que gira em redor do combate perpétuo, ao serviço da raça e da terra, e nunca em redor da paz podre e artificial do materialismo cristão. Estes e outros elementos elevam o sentir comunitário. Outra das verdades esquecidas é o encarar a morte com a dignidade de um triunfo, de uma vitória. Todos estes valores devem ser transmitidos aos nossos filhos em forma de glosa heróica ou canções evocativas, assim se faz da música e do lirismo, verdadeiros fachos do espírito. O actual e fastidioso chorrilho humanista é apenas ruído para os nossos ouvidos.

E porquê a temática do Vinho como catalisador da inspiração do split com Allerseelen? Era uma ideia já a pairar há muito tempo?
Sim, a ideia foi fermentando durante algum tempo e na altura certa começamos a trabalhar. O vinho encerra muito de mágico e de comunitário. Fazer o vinho é um trabalho que une a fertilidade da terra e a arte e força dos homens.

Qual foi a principal motivação para a publicação deste split?
A vontade de trabalhar em conjunto e a admiração pelo vinho levou-nos a pensar neste trabalho. Há muitos gostos e aspirações comuns daí que seja sempre provável que nasçam ideias conjuntas. A colaboração entre projectos não é prova de qualquer aliança ou pacto, é a prova de que ombro a ombro se caminha firmemente.

Sendo os Allerseelen uma banda Austríaca, foi difícil para eles enquadrarem-se numa temática tão nossa como a cultura vinhateira do Norte de Portugal, especificamente a relacionada ao Rio Douro?
A cultura do vinho é algo transversal aos Europeus, sobretudo aos que cultivam o gosto pela terra. O Douro, pela sua sedução natural, facilmente se enquadrou nas buscas de Allerseelen. O próprio Gerhard teve oportunidade de visitar e de se deixar encantar pelo Douro e os seus vinhos.

“Barbara Carmina” foi lançado pela Storm/Tesco mas “Pátria Granítica” e “Barco do Vinho” pela Ahnstern/Steinklang Industries. Houve alguma razão especial para a mudança?
Não houve qualquer problema com a Storm e continuámos a ter projectos comuns para edições futuras. No entanto, para o volume de trabalho que se avizinha é mais adequado trabalhar com a Ahnstern. Trata-se apenas de gostarmos de trabalhar com amigos, o que acontece em ambas as editoras.

Estão satisfeitos com o trabalho de promoção feito até agora pela Ahnstern?
O trabalho com eles agrada-nos em todos os sentidos. A promoção é suficiente, a distribuição funciona bem e não há qualquer pressão ou solicitações indesejáveis. O que importa é estar longe das demandas dos mercados, das estéticas da artificialidade e, sobretudo, não engraxar botas que não as nossas.

Acaba por ser curiosa a vossa relação próxima com projectos referência neste espectro sonoro, como Blood Axis e Allerseen. Depois de terem editado pela Storm e actuarem em Portugal com a banda de Michael Moynihan, agora que editaram pela Ahnstern e lançaram umsplit com Allerseen, podemos aspirar a ver-vos tocar com a banda de Gerhard Hallstatt nos próximos tempos?
É natural que isso venha a acontecer. Existem os convites e serão ponderados.

Tocar ao vivo é uma coisa que os Sangre Cavallum têm feito raramente ao longo dos anos. É uma opção própria?
Por nossa vontade e natureza os concertos não são prioritários. Preferimos o silêncio do lar e o ar dos montes aos ambientes dos concertos.

Mas qual foi o vosso concerto mais especial?
Foi no teatro romano das ruínas de Segobriga, perto Cuenca (Espanha) no festival Arcana Europa. Tocámos sob um Sol abrasador e foi um concerto muito dedicado à nossa terra e à nossa música de raiz. Outro aspecto que muito nos agradou foi o facto de em frente ao palco existir uma grande e bela estátua sem cabeça, a lembrar Portugal sem a Galiza. Por tudo isso, foi especialmente iluminado. Contudo, os poucos concertos que tocámos foram sempre especiais.

Há alguma banda com a qual gostariam particularmente de actuar?
Agrada-nos muito a ideia de tocar com um vasto grupo de Zés-pereiras a assegurar a percussão. De resto, quaisquer dos grupos nossos amigos poderão integrar apresentações ao vivo.

É notória a vossa aversão ao Cristianismo e orientação Pagã. Consideram-se representantes/praticantes do Paganismo tradicional, ou preferem manter-se alheios a questões religiosas ou filosóficas?
Não há enquadramento possível, o melhor é mesmo não fazer parte do que quer que seja. Por certo que somos alheios a todo este enredo social, a todas psicoses que largamente afectam a sociedade actual. Por outro lado, não representámos qualquer sistema ligado ao neo-paganismo ou qualquer prática organizada. A nossa religiosidade, de culto pagão, a nós pertence. Naturalmente que crescemos lado a lado com a Cristandade mas cedo se substituiu a cruz ensanguentada por muitos símbolos solares, esses que por todo o Norte encontrámos gravados nas pedras e na nossa memória. Venha a nós o nosso reino…

Os Sangre Cavallum têm algum papel político ou social?
Não nos interessa a política, a economia e a grande conspiração que mantém apertados estes grilhões das modernas sociedades.

Mas a passagem da mensagem de união e preservação da Callaecia é compatível com eventuais aspirações políticas de fusão do Norte de Portugal e Galiza num estado independente?
Não temos qualquer interesse em novas fronteiras administrativas para a Callaecia, novos paus-mandados no poder com a inata falta de acutilância dos que hoje içam bandeiras. Não queremos mais do mesmo, ou seja, mais republicanos aldrabões, vendidos aos poderes do comércio e do Santo Lucro. Interessa-nos a unidade espiritual galaico-duriense, o Pangaleguismo, a religiosidade arcaica, o etnocentrismo e a reposição histórica, que Portugal não esqueça o seu Norte consanguíneo, a Galiza! De resto, as inconsequências políticas ficam para os abutres do costume.

Quais são os planos de Sangre Cavallum para o futuro?
Para além do muito trabalho interno, serão produzidos novos álbuns e eventualmente algumas aparições ao vivo. A tendência será o aprofundar deste cruzamento entre música de inspiração tradicional e as músicas mais underground como o Industrial, o rock psicadélico ou a música experimental. Serão efectuados alguns trabalhos com imagem vídeo entre os muitos tributos à Callaecia, às suas fontes etnográficas e aos tesouros da espiritualidade d’aquém e d’além Minho, a nossa terra transduriana.

Se vos fosse dada a possibilidade de concretizar um objectivo ou desejo específico, qualquer coisa, o que seria?
Desenterrar muitas coisas e enterrar muitas mais!

Lurker.

[ Websites: http://www.sangrecavallum.com/ | http://www.myspace.com/sangrecavallum ]


Autor: lurker's realm blog

10º Festival Intercéltico de SENDIM (terras de miranda) - 31 de Julho e 1 Agosto 2008

FESTIVAL SENDIM - 31 JULHO E 1 AGOSTO

SEXTA 31

HEDNINGARNA (Suécia)
MARIA SALGADO (Castilla y Léon)
LENGA-LENGA (Sendim) - site http://www.lengalenga.net/

SABADO 1

LLAN DE CUBEL (Astúrias)
BRIGADA VICTOR JARA (Portugal)
KORRONTZI (Euskadi)

---------------------------------------


PROGRAMA DE ACTIVIDADES PARALELAS

CONCERTOS PARALELOS (LINK)

Outras Actividades (Feira da Música)



sexta-feira, julho 03, 2009

Rotas e Percursos para Desvendar A Serra Algarvia, com o ODIANA sempre presente!


Todas as Rotas e Circuitos

O Baixo Guadiana tem uma diversidade de lugares para descobrir.

Aqui ficam algumas sugestões de rotas e circuitos que o levarão aos mais belos lugares desta região e lhe permitirão desvendar alguns dos seus segredos.

Venha descobrir o Baixo Guadiana!





Alcoutim

“O azul do rio emoldurado pelo verde fresco da vegetação ribeirinha, dos férteis pomares e hortas. O ocre escuro dos montes redondos como seixos rolados a que estevas, azinheiras e algumas oliveiras dão leves pinceladas de cor. As casas de paredes de xisto ou com a brancura da cal de povoados perdidos entre serranias.”


Castro Marim

Visitar Castro Marim é como passear por entre as páginas de um livro de histórias de encantar. A história deste concelho, um dos mais antigos do Algarve, perde-se nas brumas do tempo e remonta à época em que romanos, celtas e árabes a ocuparam, tendo construído fortalezas e castelos para defender a terra.



Foz de Odeleite (Castro Marim) /Álamo (Alcoutim)

Onde a Ribeira de Odeleite desagua no Rio Guadiana, o que torna a zona envolvente um paraíso natural e convidativa para banhos. A ribeira de Odeleite, de caudal permanente, possui uma grande variedade de fauna e flora.


Percurso Amarelo (Santa Rita - Martinlongo)

Viagem ao centro da serra…

Está preparado para conhecer a outra face do Algarve? Então siga-nos!
Parta para um dia de Aventura! Arrisque em desvendar o misterioso! Saia à descoberta do tesouro escondido do Algarve, a Serra e a sua gente!
O sol, a areia da praia e o murmurar das ondas afastam-se lentamente, enquanto que o perfume do Atlântico é substituído pelo cheiro das estevas. O aroma é de absoluta pureza!
À medida que penetramos no oculto podemos constatar que os montes constituem a paisagem predominante. Por outro lado, e resistindo à desertificação, os camponeses hospitaleiros conservam tradições e saberes de uma cultura secular.



Percurso Azul (Castro Marim - Alcoutim)

Um olhar sobre o Guadiana

O riquíssimo património que acompanhará ao longo deste percurso tem como elementos comuns a História e o azul da água. Por outras palavras, a História associa-se a Castelos e Fortalezas, como são o caso de Castro Marim e Alcoutim.
Durante séculos estas fortalezas, marcaram a resistência portuguesa face às numerosas tentativas de domínio provenientes de Espanha e do Norte de África.
Por sua vez, este conjunto de estruturas defensivas, enquadradas na natureza, é seguido de perto pela imensidão do Atlântico e do Grande rio do Sul – o Guadiana!
O Guadiana foi desde cedo uma via de comunicação preferida por vários povos, salientando-se os Fenícios, Cartagineses, Romanos e Muçulmanos.
Outrora, o Guadiana desempenhou um papel fundamental na economia nacional, constituindo um dos grandes corredores das rotas comerciais do Mediterrâneo por excelência. Pelo porto de Mértola e por outros pontos de acostagem como Alcoutim e Vila Real de Santo António, eram escoados, entre outros produtos, o ouro, a prata, o cobre, o sal, o peixe e o trigo.
Em complemento à História irá encontrar paisagens de encanto e uma diversificada fauna e flora, onde se realça a Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António.
Este percurso permitir-lhe-á constatar as diferenças entre o quotidiano do litoral e o da serra algarvia. Tire você mesmo as conclusões!



Percurso Laranja (Barragem do Beliche)

O espelho do Beliche

Em contraste completo com o litoral, este percurso, em pleno coração da Serra, oferece ao visitante infinitas paisagens entre os vales das ribeiras e das barragens. Os montes e aldeias, as águas cristalinas, a fauna e a flora compõem um quadro cénico deslumbrante.
Este percurso será o guia que o levará a meditar sobre os misteriosos e inexplorados horizontes da natureza.




Percurso Roxo (Barragem de Odeleite)


As mil facetas de Odeleite

Este percurso caracteriza-se por uma insuspeita beleza e riqueza natural, onde os cenários paisagísticos mudam constantemente. Embora com alguns vestígios de intervenção humana, a ribeira, os montes e a riquíssima fauna e flora presentes neste percurso, constituem os ingredientes com que um amante da natureza sonha.
Nem sempre a intervenção do homem é desleal, por vezes, traz benefícios, como é o caso da barragem de Odeleite. Circunscrevendo a mesma, este itinerário contém potencialidades indiscutíveis e de difícil descrição. As surpreendentes vistas panorâmicas têm um efeito de hipnose sobre aqueles que se atreverem a desvendar as suas maravilhas!
Para que desfrute de um dia descontraído, em sintonia com a harmonia da paisagem, terá à sua disposição zonas de banho, de merenda, uma rede de contactos de restaurantes e bares e uma série de pontos de venda de artesanato local. Em suma, uma perfeita simbiose com o património da serra.
Este percurso insere-se numa área por excelência vocacionada para a prática de passeios pedestres, de trekking, de BTT, de cicloturismo, de 4x4, de actividades náuticas e de fotografia.




Percurso Vermelho (Alcoutim - Martinlongo)


Regresso ao Passado...

Os segredos de uma cultura secular, estão expressos nos rostos das gentes da terra! O Património e o Artesanato são os elementos que mais vezes irá encontrar neste percurso. Se é amante da serra e tem curiosidade em explorar o desconhecido, de que está à espera?







Site visitado: http://www.odiana.pt/

'Etnos' pela Tradição

ASTA


Associação de Artes e Sabores de Tavira

(http://www.asta.pt/)


Morada: Calçada da Galeria, Nº 11 (em frente ao Palácio da Galeria)
8800 Tavira
Tel: 281 381 265
Tel: 961 478 155
Tel: 919 363 491

- Cursos de Artesanato tradicional, "Fazendo e Aprendendo"
- Visitas Guiadas (grupos e escolas), com artesãos a trabalhar ao vivo.
- Mostra, venda e exposição de Artesanato e Produtos do Concelho de Tavira.
- Entre outros...


----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão - Cortelha


Morada: Sede da Associação dos Amigos da Cortelha
8100 Salir
Tel: 96 3052367
Fax: 289 846 220
Url: http://gescalgarve.no.sapo.pt/

Empenhado em divulgar as tradições e o nome da Serra do Caldeirão, o Grupo já participou em vários festivais de folclore e, em 2004 deslocou-se a Paris, mais precisamente a Epinay sur Seine para participar no Festival Internacional de Folclore.



------------------------------------------

Odiana - Associação Para o Desenvolvimento do Baixo Guadiana

Esta Associação, fundada pelos municípios de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António, em Dezembro de 98, veio merecer um antigo nome do rio Guadiana: Odiana, elemento marcante na história e determinante no futuro.
A Odiana recebeu um antigo nome do Rio Guadiana: Odiana.

Morada: Rua 25 de Abril, Nº 1, Apartado 21
8950 Castro Marim
Tel: 281 531171
Fax: 281 531171
Email: odiana@mail.telepac.pt
Url: http://www.odiana.pt

Ver Programação


Áreas de intervenção:

Promoção territorial
Desenvolvimento local
Planeamento e ordenamento
Formação
Desenvolvimento social
Apoio ao investimento
Assessoria técnica intermunicipal