Cacela: túmulo megalítico atrai escolas
Oficinas de Arqueologia promovem divulgação do património e sensibilização dos jovens para a conservação são objectivos das organizados pelo Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, que incluem visitas ao túmulo megalítico de Santa Rita.
Descoberto em 2001, durante trabalhos de prospecção e inventariação do património histórico do local, o túmulo remonta a cerca de 2.500 anos antes de Cristo e é considerado pelos investigadores como "uma das construções megalíticas mais importantes do Algarve".
A descoberta histórica situa-se junto à localidade de Santa Rita, no concelho de Vila Real de Santo António, onde funciona também o Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela (CIIPC), que organiza os ateliers da arqueologia para alunas das escolas.
"Esta actividade (atelier) insere-se numa oficina de arqueologia, que normalmente é dividida em duas partes. Começamos primeiro por falar um pouco da importância da arqueologia, no sentido de possibilitar o conhecimento da história de um determinado sítio, para que eles conheçam um pouco da actividade arqueológica e da sua importância", explicou à Agência Lusa Miguel Godinho, técnico do CIIPC.
O responsável pelas Oficinas de Arqueologia precisou que os alunos dirigem-se depois "a um sítio arqueológico recentemente intervencionado aqui na zona, que é o túmulo megalítico de Santa Rita", onde se fala "do que ele é, do enquadramento arqueológico, por que é importante e da necessidade do preservar".
"Segue-se um segundo momento, onde mostramos os vários utensílios e as ferramentas utilizadas pelo arqueólogo e passamos então a uma segunda fase desse segundo momento, onde as crianças podem experimentar a arqueologia, cavando, identificando e registando os materiais, fazendo a lavagem das peças, portanto mostrando um pouco o que é o mundo da arqueologia", acrescentou.
O investigador do CIIPC explicou ainda que o túmulo "indica que já há cerca de 4.500 anos atrás havia aqui uma comunidade a viver em Santa Rita, que se fazia enterrar nesse mesmo local, que de alguma forma essa sociedade já estaria estratificada, segmentarizada", Miguel Godinho acrescentou que essa população já se deveria "dedicar à agricultura, à pastorícia e à edificação dessas estruturas, que serviam, pensa-se, para enterrar as pessoas mais importantes que no local nessa altura".
O técnico do CIIPC adiantou que, durante as escavações, foram encontrados no túmulo ossadas e vários objectos, que estão a ser estudados nas Universidades de Coimbra e de Huelva (Espanha), e que só depois de conhecidos os resultados desse estudos se poderá saber mais do povo que viveu em Santa Rita há cerca de 4.500 anos.
Ataegina - deusa do renascimento(Primavera),fertilidade,natureza e cura.O nome Ataegina é originário do celta Ate + Gena (renascimento).Era venerada na Lusitânia e na Bética. Existem santuários dedicados à deusa em Elvas, Mérida e Cáceres na Extremadura espanhola,além de outros locais, especialmente perto do Rio.Era das principais deusas veneradas em Myrtilis(Mértola),Pax Julia(Beja),e especialmente venerada na cidade de Turobriga(Huelva).
domingo, abril 12, 2009
segunda-feira, abril 06, 2009
Boa Vida e Boa Mesa
A Serra do Caldeirão convida a um passeio para apreciar o aroma da Primavera. Conheça a proposta do Boa Vida Boa Mesa.
Rume até São Brás de Alportel e visite o Parque da Fonte Férrea, a norte da vila. Nas margens da ribeira de Alportel, o Parque dispõe de facilidade de estacionamento e espaços de observação da natureza, com painéis e placas de informação sobre os valores naturais.
Aproveite para fazer uma caminhada e respirar ar puro.
Junto à Fonte Férrea encontra um espaço de merendas onde pode fazer um piquenique mas, se preferir provar a gastronomia típica serrana pode sempre optar por visitar um dos restaurantes aderentes à Quinzena Gastronómica Sabores de Caldeirão.
Tem dez opções diferentes, espalhadas por todo o concelho de São Brás de Alportel. Encontra aqui as indicações para chegar aos restaurantes e aqui os menus de cada um.
Bom passeio e bom apetite!
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Aproveite para fazer uma caminhada e respirar ar puro.
Junto à Fonte Férrea encontra um espaço de merendas onde pode fazer um piquenique mas, se preferir provar a gastronomia típica serrana pode sempre optar por visitar um dos restaurantes aderentes à Quinzena Gastronómica Sabores de Caldeirão.
Tem dez opções diferentes, espalhadas por todo o concelho de São Brás de Alportel. Encontra aqui as indicações para chegar aos restaurantes e aqui os menus de cada um.
Bom passeio e bom apetite!
Tradição Piscatória
Tradição piscatória recordada em OLHÃO
No fim-de-semana de Páscoa, Olhão vai receber a tradicional Vila de Amêijoas, um evento gastronómico que decorre pelo 12º ano consecutivo.
No Jardim Pescador Olhanense, durante quatro dias (9 a 12 de Abril), os visitantes poderão apreciar, entre outras iguarias, a forma peculiar de confeccionar uma das espécies de bivalves da Ria Formosa: a amêijoa.
Em época de Páscoa, vai recordar-se a tradição dos pescadores olhanenses que, em tempos idos, cozinhavam as amêijoas na pedra.
Estas são dispostas com a boca para baixo, numa chapa ou laje, que tem no centro uma pedra, à volta da qual se vão encostando os bivalves, um a um, fazendo circunferências de dentro para fora. São depois cobertas com caruma dos pinheiros, que se deixa arder. A amêijoa abre com o calor, saindo do seu interior a água que permite perceber que o alimento está cozinhado.
Esta forma original de os olhanenses cozinharem as amêijoas, recordando os seus antepassados, é apenas uma das variadas sugestões gastronómicas apresentadas, sempre com produtos da Ria Formosa, nos quatro dias desta festa, organizada pela Formosa, Cooperativa de Viveiristas da Ria Formosa, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Olhão.
Os visitantes podem deslocar-se ao Jardim Pescador no dia 9, das 17h00 às 00h00, e nos dias 10, 11 e 12, das 12h00 às 00h00.
No fim-de-semana de Páscoa, Olhão vai receber a tradicional Vila de Amêijoas, um evento gastronómico que decorre pelo 12º ano consecutivo.
No Jardim Pescador Olhanense, durante quatro dias (9 a 12 de Abril), os visitantes poderão apreciar, entre outras iguarias, a forma peculiar de confeccionar uma das espécies de bivalves da Ria Formosa: a amêijoa.
Em época de Páscoa, vai recordar-se a tradição dos pescadores olhanenses que, em tempos idos, cozinhavam as amêijoas na pedra.
Estas são dispostas com a boca para baixo, numa chapa ou laje, que tem no centro uma pedra, à volta da qual se vão encostando os bivalves, um a um, fazendo circunferências de dentro para fora. São depois cobertas com caruma dos pinheiros, que se deixa arder. A amêijoa abre com o calor, saindo do seu interior a água que permite perceber que o alimento está cozinhado.
Esta forma original de os olhanenses cozinharem as amêijoas, recordando os seus antepassados, é apenas uma das variadas sugestões gastronómicas apresentadas, sempre com produtos da Ria Formosa, nos quatro dias desta festa, organizada pela Formosa, Cooperativa de Viveiristas da Ria Formosa, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Olhão.
Os visitantes podem deslocar-se ao Jardim Pescador no dia 9, das 17h00 às 00h00, e nos dias 10, 11 e 12, das 12h00 às 00h00.
sábado, abril 04, 2009
Um lutador nacional!


Cão de Água Português

Um lutador nacional!
origem: Portugal
data de origem: Antiguidade
esperança de vida: 14 anos
classificação: Cães de Caça
altura:43 para 57 cm
peso:16 para 25 kg
História
O Cão de Água Português é uma raça antiga que já esteve perto da extinção, apenas para ressurgir e tornar-se na raça de cães portuguesa com maior projecção nos Estados Unidos da América.O registo mais antigo da raça data de 1828.
Trata-se de uma gravura sobre o desembarque de El-Rei Senhor D. Miguel na Praia de Belém, onde um cão idêntico ao Cão de Água Português nada em direcção aos barcos. Contudo, pensa-se que a raça é bastante mais antiga. Aponta-se para o período compreendido entre os séculos V e VII como a data de introdução da raça em Portugal.
De facto, Manuel Fernandes Marques referia no seu livro “O Cão d’Água”, de 1938, que esta raça era já conhecida dos antigos romanos, que o apelidaram de “Cão leão” devido ao corte do pêlo.
É baseado nesta ideia de antiguidade da raça que se pensa que o Cão Água Português partilha os mesmos ascendentes com o Caniche.
O Cão de Água Português foi desde logo adoptado pelos pescadores que o consideravam como um companheiro, com os mesmos deveres e regalias de qualquer outro pescador.
Excelente nadador e mergulhador, este cão era utilizado para recuperar o peixe que se soltava dos anzóis e outros objectos na água.
Diz a lenda que o cão chegou mesmo a salvar pescadores (na altura, era frequente os pescadores não saberem nadar).
O Cão de Água Português transportava também mensagens de barco para barco e nas horas vagas dos pescadores era responsável pela guarda da embarcação. Como recompensa, os pescadores dividiam com ele o peixe e o dinheiro que faziam com o comércio, que ficava a cargo do homem eleito para cuidar do animal. Devido a esta repartição igualitária, os pescadores mais velhos e afastados do mar alugavam por vezes os seus cães, de forma a conseguirem um rendimento extra.
À semelhança da dinâmica que o cão mantém com o caçador, também o Cão de Água Português era indispensável nas embarcações de pesca. E assim foi até que a revolução industrial chegou a Portugal e mais particularmente à frota pesqueira do país, no início do século XX.
A mecanização veio não só substituir alguns homens, mas também o cão. Os rádios passaram a assegurar a comunicação entre os barcos e os guinchos faziam com que a rede fosse fácil de puxar. Gradualmente, em vez de dois cães olhando um para bombordo e outro estibordo, os barcos começaram a modernizar-se e a abdicar dos animais. Perdendo cada vez mais território, o Cão de Água Português, que originalmente estava presente em toda a costa portuguesa, refugiou-se no Algarve, onde a tradição piscatória se manteve.
Paralelamente a estas mudanças, o Cão de Água Português estreou-se também nas exposições, por volta dos anos 30. Apesar de os números do Cão de Água Português estar a diminuir, o seu valor para os pescadores não foi alterado.
Estes cães não eram vendidos, apenas dados ou trocados, o que colocou alguns obstáculos a entusiastas da raça para obterem exemplares de forma a fundarem o seu canil.
Foi o interesse pela raça de Vasco Bensaúde, dono de uma frota pesqueira, que garantiu a sobrevivência da raça.
Responsável pelo estalão e pela formação do clube do Cão de Água Português no país, Vasco Bensaúde, reuniu vários exemplares espalhados pelo país e iniciou um programa de criação com esses cães.
Na década de 60 do século XX, o número de cães de Água Português era bastante reduzido. Estimavam-se cerca de 50 exemplares.
Em 1966, foi criado o estalão da raça, mas a publicação do mesmo não trouxe popularidade ao animal.
Em 1981, a raça foi reconhecida pelo American Kennel Club, clube de canicultura dos Estados Unidos. No mesmo ano, o Guinness Book os Records referia-se ao Cão de Água Português como a raça mais rara do mundo.
Apesar desta informação carecer de verificação científica, a verdade é que foi num pulo que o Cão de Água Português se tornou a raça de cães portuguesa mais popular naquele país.
Os norte-americanos tinham entrado em contacto com o Cão de Água Português já em 1958, tendo sido alguns anos depois, em 1972, formado o clube norte-americano da raça.
O reconhecimento do Cão de Água Português e a divulgação dada pelo livro dos recordes veio impulsionar de forma significativa o crescimento da raça no país.
Hoje em dia o Cão de Água Português pode ainda ser encontrado em barcos de pescadores.
Outras das suas funções são guarda e companhia.
Já fora de perigo de extinção, o Cão de Água Português não é contudo uma raça que goze de muita popularidade no país.
Temperamento
O Cão de Água Português é um animal energético, cheio de vida e sempre disposto a dar um mergulho. Simpático e curioso, o Cão de Água Português gosta de atenção e detesta estar sozinho.
Por isso mesmo, não deve ser deixado só por longos períodos de tempo em casa ou no exterior, pois pode desenvolver comportamentos destrutivos. Devido a esta dependência do dono, o Cão de Água Português não é um animal de exterior. Gosta de estar perto do dono e deve poder dormir no interior.
Meigo, dá-se bem com crianças, com quem se mostra brincalhão.
A sua sociabilidade estende-se a cães e outros animais, como os gatos, desde que apresentados em pequenos.
Devido à sua inteligência e coragem, gosta de desafios e deve ser socializado e treinado desde pequeno de forma consistente.
Assim que abrir uma excepção o Cão de Água Português vai sempre contar com o seu coração mole.
Apesar da sua energia e espírito voluntariosos, o Cão de Água Português é um animal calmo.
São desconfiados em relação a estranhos e não hesitam em ladrar-lhes, tornando-os um bom cão de alarme.
Em pequenos têm um elevada tendência para roer.
Exercicio e treino
O Câo de Água Português necessita de bastante exercício mental e físico para se manter saudável. Uma caminha diária longa e a diferentes ritmos serve para manter esta raça em forma.
O Cão de Água Português adora água e não há frio que o impeça de recuperar um objecto atirado para o rio, mar ou mesmo piscina (desde que tenha degraus ou rampas que permitam que o cão consiga sair facilmente).
São óptimos companheiros para pessoas mais activas, sobretudo para quem pratica jogging.
Inteligente, o Cão de Água Português é fácil de treinar.
A sua vontade em agradar ao dono e treinabilidade valeram-lhe fama nos desportos caninos como o Agility. O treino deve ser consistente e baseado no reforço positivo.
Os treinos devem ser alternados com brincadeiras para não aborrecer o cão.
Aparência Geral
O Cão de Água Português é um animal de porte médio, de constituição robusta e ágil. A altura típica dos machos é 54 cm, mas admite-se o intervalo dos 50 aos 57 cm.
As fêmeas têm geralmente 46 cm, podendo situar-se entre os 43 e os 52 cm.A cabeça é bem proporcionada, com um focinho largo, sendo o pêlo curto e sem ondulação nesta área.
Os olhos são castanhos ou pretos de expressão viva.
Os maxilares são fortes e estão munidos de caninos bem desenvolvidos, utilizados para agarrar o peixe na boca. As suas orelhas são pendentes e revestidas de pêlo. É dotado de umas pernas musculosas, sendo as anteriores rectas, e as posteriores angulosas.
Esta raça tem ainda a particularidade de possuir uma membrana interdigital muito desenvolvida que lhes permite uma melhor adaptação ao meio aquático e assim nadar melhor.
Pêlo: Aparência e tosquia
O Cão de Água Português têm um perfil facilmente identificável quando se encontra com a pelagem cortada de forma típica.
Todo o corpo se encontra coberto por uma densa camada de pêlo.
O pêlo desta raça pode ser comprido e ondulado ou curto e crespo. Na variedade de pêlo comprido, os fios são ondulados, lustrosos e fofos, formando uma trunfa na cabeça. As orelhas podem ter o pêlo mais longo nesta variedade.
O cão com pêlo curto e crespo, apresenta uma pelagem mais baça que forma pequenos canudos, lembrando uma carapinha.
O Cão de Água Português pode apresentar uma pelagem sólida, de cor branca preta ou castanha, ou malhada, combinando o branco com o preto ou o castanho. Os exemplares pretos e brancos apresentam a pele ligeiramente azulada.
O pêlo quando deixado ao natural cresce por igual em todo o corpo. Contudo é a tosquia típica que dá o reconhecimento a este cão. Ao contrário do que possa ser inicialmente pensado, a tosquia segue padrões funcionais e não estéticos.
O Cão de Água Português é tosquiado no quarto traseiro, mantendo-se na zona dianteira o comprimento natural do pêlo. A excepção é feita na franja, que é aparada e também na zona no focinho. A cauda permanece com um tufo na ponta. Este corte era inicialmente feito pelos pescadores. O objectivo era libertar as patas do cão para que conseguisse nadar sem o peso extra do pêlo, mas mantendo quente os órgãos vitais. Por isso apenas a parte traseira é tosquiada. A franja é aparada para permitir que o cão consiga ver sem interferências e o focinho também é despojado de pêlo, para que consiga agarrar o peixe ou qualquer outro objecto mais facilmente. Os pêlos na ponta da cauda são deixados ao natural para que a cauda possa flutuar.
Características especiais
Uma das características que torna o Cão de Água Português especial é o facto de ser hipoalergénico, ou seja, é recomendado para pessoas com alergias a animais e com problemas resporatórios que muitas vezes se vêm incapacitadas de ter um animal de companhia. O pêlo do Cão de Água Português não provoca reacções alérgicas.
O Cão de Água Português tem uma membrana interdigital, que lhe confere de facto uma capacidade de nadar muito mais rápida que a maioria das raças caninas. Estas membranas servem também para auxliar o mergulho.
Entre as suas características mais extraordinárias está capacidade de travar a respiração (apnéia) continuando no entanto, e sempre que necessário, a expelir o ar, descomprimindo as narinas que se fecham quando mergulha. A sua visão é fotosensível, razão pela qual a raça, na sua "versão original" , tem a pelagem comprida tapando os olhos. Os movimentos desta raça assemelham-se ao trote de um cavalo, sendo curtos e cómicos, mas também ritmados. A corrida é muito energética e galopante.
O pêlo do Cão de Água Português deve ser escovado frequentemente. Como o pêlo desta raça cresce lentamente, a tosquia não é tão frequente como no caso dos caniches. Estes cães quase não largam pêlo. Os ouvidos devem ser limpos após sessões de natação ou mergulho para evitar inflamações.
O Cão de Água Português é bastante saudável. Os problemas de saúde mais recorrentes na raça são a Displasia da Anca e problemas oculares, tais como cataratas e Atrofia Progressiva de Retina.
terça-feira, março 31, 2009
Sud
A Escrita Cónia: Os Cónios, Tartéssicos e Turdetanos, um mesmo povo? E a questão da designação da Escrita Sud-Lusitânica
Publicado em 04/15/2006 por Clavis Prophetarum
“Segundo o Itinerário de Antonino Pio, o território dos cónios era separado daquele ocupado pelos Turdetanos pelo rio Guadiana, ocupando os cónios a margem ocidental e os Turdetanos a oriental. Beja e Mértola eram habitadas por Turdetanos, assim como Myrtillis, Balsa e Ossonoba, no litoral, do Guadiana ao Cabo Espichel. A este juntava-se aquela que era provavelmente a capital do território, mercê da importância económica e do seu posicionamento geográfico, Imperatoria Salatia (a actual cidade e sede de concelho Santiago do Cacém).
Esta profunda penetração de populações Turdetanos no seio da “terra cónia” é um dos maiores argumentos a favor da identidade entre Cónios e Turdetanos. Algo que aliás, está bastante claro nos autores clássicos, sobretudo no que respeita à cidade de Balsa. Com efeito, se Ptolomeu (2, 5, 2) e Marciano (2, 13) a classificam apenas como uma “cidade turdetana”, Mela (3, 7) vai mais longe e indica claramente que estaria situada no “ager Cuneus” (“Terra Cónia”).
Alguns historiadores espanhóis já tentaram classificar as inscrições sud-lusitânicas encontradas no território português (com penetrações até ao sul de Espanha) no universo das inscrições tartéssicas do Levante Espanhol.
A designação “escrita turdetânica” foi também ensaiada, mas sem conseguir recolher grande adesão, especialmente entre nós. Quanto à inclusão das inscrições sud-lusitânicas nessa esfera tartéssica, encontramos num autor espanhol, Juan Carlos Alonso uma indicação sobre a área geográfica efectiva do “Império” de Tartessos: “a monarquia da cidade de Tartessos, homónima do rio, compreendia toda a actual Andaluzia mais a província de Múrcia e ocasionalmente o sul de Portugal; dominaram a costa desde Lisboa até Cartagena. Ao norte mantiveram fixas as suas fronteiras com os celtas (Cempsii) na barreira natural de Sierra Morena. (…)
No Oeste, o sul de Portugal (Os Cinetes) permanecia unido a Tartessos, mais por laços comerciais que por submissão.” Desta citação ressalta a referida intenção de integrar o Cyneticum dentro do âmbito do Império Tartéssico, algo que não encontra nenhuma substância em textos clássicos ou em testemunhos arqueológicos, para além dos naturais paralelismos e contactos entre populações fronteiriças que mantinham sólidos e intensos laços comerciais.
Este suposto “império” Tartéssico nunca encontrou nenhuma prova presencial no território nacional, e aliás, a prova disso mesmo está no emprego da expressão: “ocasionalmente o sul de Portugal”.
Estrabão, na Geografia III (1, 6) afirma que os Turdetanos são considerados os mais cultos de todos os iberos. Diz o autor, que conheciam a escrita e possuíam, inclusivamente, testemunhos do seu antigo passado: crónicas históricas, poemas e leis em verso, que afirmavam ser de uma antiguidade de seis mil anos. Acrescenta ainda que “as suas cidades são numerosíssimas, pois dizem ser duzentas. As mais importantes por seu tráfego comercial são as que se acham junto aos rios, nos estuários ou junto ao mar.” Não se tratavam obviamente de duzentas grandes cidades, aliás, a maioria destas não deveria agrupar mais do que uma ou duas dezenas de famílias, à semelhança dos povoados cónios encontrados no Alentejo e no Algarve por Caetano Beirão.
A concentração junto do litoral ou perto de cursos fluviais está de acordo com a tradição de laços comerciais intensos entre as duas margens do Guadiana e confere com os relatos de Ptolomeu, Marciano e Mela citados no parágrafo anterior.
Qual seria a relação entre estes cultos e prósperos Turdetanos com o nosso objecto de estudo, os cónios?
As inscrições tartéssicas , e as inscrições sud-lusitânicas ou cónias sobrepõem-se geograficamente, embora permaneçam morfologicamente distintas e as suas zonas nucleares de maior densidade sejam facilmente identificáveis.
Estes indícios indicam estarmos perante duas civilizações semelhantes, obviamente próximas sob todos os aspectos, mas perfeitamente distintas.
Também o grande nível de prosperidade alcançado no sul da Península e sobretudo o número de cidades ocupadas por estas populações turdetano-tartéssicas, as afasta das modestas e raras povoações cónias que conhecemos. Aliás, as referências de Estrabão e de outros autores clássicos parecem aludir sobretudo ao que se conhece da cidade de Tartessos e aos territórios por ela directamente tutelados. Não é impossível que os Tartéssicos não fossem mais do que os Turdetanos que viviam na cidade de Tartessos, assim como não é impossível que os cónios fossem os turdetanos que viviam na margem ocidental do Guadiana. A posição periférica dos cónios em relação aos grandes centros comerciais do sul peninsular explica a menor riqueza e – sobretudo – a diminuta dimensão das suas povoações.
A acreditar em Antonino Pio, os Turdetanos ocupavam antes da chegada dos romanos o território cónio.
Poderemos então considerar os cónios como Turdetanos?
Recordemo-nos que os Turdetanos eram considerados como “os mais cultos dos iberos” e que conheciam a escrita, assim como os cónios. Dada a proximidade geográfica, é impossível admitir que não tenham existido contactos entre cónios e Turdetanos.
As relações comerciais entre ambos são inegáveis e robustas, como testemunha a arqueologia.
Mas as inscrições sud-lusitânicas podem ser designadas com pertencentes a uma “escrita turdetânica” ou a uma “escrita cónia”?
Acreditamos que a melhor prova de que se tratam de inscrições cónias está precisamente na presença quase omnipresente da palavra “cónio” nas estelas do sul de Portugal.
Não encontrámos até hoje nenhuma alusão aos Turdetanos nas nossas leituras, conforme veremos mais adiante… Esta identidade entre Tartéssicos e Turdetanos é praticamente consensual, como nos testemunha J. Constantin Dragán quando afirma que: “Os romanos chamavam aos Tartessos pelo nome de Turdetanos.” Daqui se infere que as expressões “escrita turdetânica” ou “escrita tartéssica” são simplesmente equivalentes, uma vez que Tartessos era a cidade capital dos Turdetanos. Algo de semelhante, contudo, não pode ser dito em relação à “Escrita Cónia” ou “Sud-Lusitânica”.
O termo “Escrita Sud-Lusitânica” tem sido o preferido pelos historiados portugueses e do além Guadiana. Mas esta expressão peca pela sua limitação geográfica e imprecisão. Efectivamente, e para além do evidente galicismo de “Sud”, nem só na Lusitânia foram encontradas inscrições deste género, uma vez que na Bética (além Guadiana) também temos diversos exemplos do seu uso . É certo que esta é mesmo a mais segura das expressões, uma vez que não implica nenhuma adesão às teorias turdetânicas, tartéssicas, cónias ou hebraico/fenícias.
Daquilo que já escrevemos, deduzimos que o povo que escreveu estas estelas foi efectivamente o cónio.
Seguindo uma linha de pensamento semelhante à nossa, Lopes Navarro prefere o emprego da expressão “Escrita Cinética”.
O termo é efectivamente adequado na medida em que respeita à designação de Cyneticum empregue por alguns autores clássicos e porque indica a origem genética das próprias inscrições. Infelizmente, a palavra “cinética” tem um significado bem diverso no dicionário da língua portuguesa e o seu emprego pode suscitar confusões perfeitamente desnecessárias.
Julgamos assim que uso da expressão “Escrita Cónia” expressa mais claramente a origem das inscrições, o seu âmbito geográfico e, sobretudo, não utiliza uma palavra de uso corrente e diverso daquele que se pretende utilizar, razão pela qual o utilizámos exaustivamente no decorrer do nosso trabalho.”
Arquivado em: A Escrita Cónia
*Galicismo[1] ou francesismo é uma palavra ou expressão de origem francesa, ou afrancesada, tendo ou não mantida a sua grafia original.
Publicado em 04/15/2006 por Clavis Prophetarum
“Segundo o Itinerário de Antonino Pio, o território dos cónios era separado daquele ocupado pelos Turdetanos pelo rio Guadiana, ocupando os cónios a margem ocidental e os Turdetanos a oriental. Beja e Mértola eram habitadas por Turdetanos, assim como Myrtillis, Balsa e Ossonoba, no litoral, do Guadiana ao Cabo Espichel. A este juntava-se aquela que era provavelmente a capital do território, mercê da importância económica e do seu posicionamento geográfico, Imperatoria Salatia (a actual cidade e sede de concelho Santiago do Cacém).
Esta profunda penetração de populações Turdetanos no seio da “terra cónia” é um dos maiores argumentos a favor da identidade entre Cónios e Turdetanos. Algo que aliás, está bastante claro nos autores clássicos, sobretudo no que respeita à cidade de Balsa. Com efeito, se Ptolomeu (2, 5, 2) e Marciano (2, 13) a classificam apenas como uma “cidade turdetana”, Mela (3, 7) vai mais longe e indica claramente que estaria situada no “ager Cuneus” (“Terra Cónia”).
Alguns historiadores espanhóis já tentaram classificar as inscrições sud-lusitânicas encontradas no território português (com penetrações até ao sul de Espanha) no universo das inscrições tartéssicas do Levante Espanhol.
A designação “escrita turdetânica” foi também ensaiada, mas sem conseguir recolher grande adesão, especialmente entre nós. Quanto à inclusão das inscrições sud-lusitânicas nessa esfera tartéssica, encontramos num autor espanhol, Juan Carlos Alonso uma indicação sobre a área geográfica efectiva do “Império” de Tartessos: “a monarquia da cidade de Tartessos, homónima do rio, compreendia toda a actual Andaluzia mais a província de Múrcia e ocasionalmente o sul de Portugal; dominaram a costa desde Lisboa até Cartagena. Ao norte mantiveram fixas as suas fronteiras com os celtas (Cempsii) na barreira natural de Sierra Morena. (…)
No Oeste, o sul de Portugal (Os Cinetes) permanecia unido a Tartessos, mais por laços comerciais que por submissão.” Desta citação ressalta a referida intenção de integrar o Cyneticum dentro do âmbito do Império Tartéssico, algo que não encontra nenhuma substância em textos clássicos ou em testemunhos arqueológicos, para além dos naturais paralelismos e contactos entre populações fronteiriças que mantinham sólidos e intensos laços comerciais.
Este suposto “império” Tartéssico nunca encontrou nenhuma prova presencial no território nacional, e aliás, a prova disso mesmo está no emprego da expressão: “ocasionalmente o sul de Portugal”.
Estrabão, na Geografia III (1, 6) afirma que os Turdetanos são considerados os mais cultos de todos os iberos. Diz o autor, que conheciam a escrita e possuíam, inclusivamente, testemunhos do seu antigo passado: crónicas históricas, poemas e leis em verso, que afirmavam ser de uma antiguidade de seis mil anos. Acrescenta ainda que “as suas cidades são numerosíssimas, pois dizem ser duzentas. As mais importantes por seu tráfego comercial são as que se acham junto aos rios, nos estuários ou junto ao mar.” Não se tratavam obviamente de duzentas grandes cidades, aliás, a maioria destas não deveria agrupar mais do que uma ou duas dezenas de famílias, à semelhança dos povoados cónios encontrados no Alentejo e no Algarve por Caetano Beirão.
A concentração junto do litoral ou perto de cursos fluviais está de acordo com a tradição de laços comerciais intensos entre as duas margens do Guadiana e confere com os relatos de Ptolomeu, Marciano e Mela citados no parágrafo anterior.
Qual seria a relação entre estes cultos e prósperos Turdetanos com o nosso objecto de estudo, os cónios?
As inscrições tartéssicas , e as inscrições sud-lusitânicas ou cónias sobrepõem-se geograficamente, embora permaneçam morfologicamente distintas e as suas zonas nucleares de maior densidade sejam facilmente identificáveis.
Estes indícios indicam estarmos perante duas civilizações semelhantes, obviamente próximas sob todos os aspectos, mas perfeitamente distintas.
Também o grande nível de prosperidade alcançado no sul da Península e sobretudo o número de cidades ocupadas por estas populações turdetano-tartéssicas, as afasta das modestas e raras povoações cónias que conhecemos. Aliás, as referências de Estrabão e de outros autores clássicos parecem aludir sobretudo ao que se conhece da cidade de Tartessos e aos territórios por ela directamente tutelados. Não é impossível que os Tartéssicos não fossem mais do que os Turdetanos que viviam na cidade de Tartessos, assim como não é impossível que os cónios fossem os turdetanos que viviam na margem ocidental do Guadiana. A posição periférica dos cónios em relação aos grandes centros comerciais do sul peninsular explica a menor riqueza e – sobretudo – a diminuta dimensão das suas povoações.
A acreditar em Antonino Pio, os Turdetanos ocupavam antes da chegada dos romanos o território cónio.
Poderemos então considerar os cónios como Turdetanos?
Recordemo-nos que os Turdetanos eram considerados como “os mais cultos dos iberos” e que conheciam a escrita, assim como os cónios. Dada a proximidade geográfica, é impossível admitir que não tenham existido contactos entre cónios e Turdetanos.
As relações comerciais entre ambos são inegáveis e robustas, como testemunha a arqueologia.
Mas as inscrições sud-lusitânicas podem ser designadas com pertencentes a uma “escrita turdetânica” ou a uma “escrita cónia”?
Acreditamos que a melhor prova de que se tratam de inscrições cónias está precisamente na presença quase omnipresente da palavra “cónio” nas estelas do sul de Portugal.
Não encontrámos até hoje nenhuma alusão aos Turdetanos nas nossas leituras, conforme veremos mais adiante… Esta identidade entre Tartéssicos e Turdetanos é praticamente consensual, como nos testemunha J. Constantin Dragán quando afirma que: “Os romanos chamavam aos Tartessos pelo nome de Turdetanos.” Daqui se infere que as expressões “escrita turdetânica” ou “escrita tartéssica” são simplesmente equivalentes, uma vez que Tartessos era a cidade capital dos Turdetanos. Algo de semelhante, contudo, não pode ser dito em relação à “Escrita Cónia” ou “Sud-Lusitânica”.
O termo “Escrita Sud-Lusitânica” tem sido o preferido pelos historiados portugueses e do além Guadiana. Mas esta expressão peca pela sua limitação geográfica e imprecisão. Efectivamente, e para além do evidente galicismo de “Sud”, nem só na Lusitânia foram encontradas inscrições deste género, uma vez que na Bética (além Guadiana) também temos diversos exemplos do seu uso . É certo que esta é mesmo a mais segura das expressões, uma vez que não implica nenhuma adesão às teorias turdetânicas, tartéssicas, cónias ou hebraico/fenícias.
Daquilo que já escrevemos, deduzimos que o povo que escreveu estas estelas foi efectivamente o cónio.
Seguindo uma linha de pensamento semelhante à nossa, Lopes Navarro prefere o emprego da expressão “Escrita Cinética”.
O termo é efectivamente adequado na medida em que respeita à designação de Cyneticum empregue por alguns autores clássicos e porque indica a origem genética das próprias inscrições. Infelizmente, a palavra “cinética” tem um significado bem diverso no dicionário da língua portuguesa e o seu emprego pode suscitar confusões perfeitamente desnecessárias.
Julgamos assim que uso da expressão “Escrita Cónia” expressa mais claramente a origem das inscrições, o seu âmbito geográfico e, sobretudo, não utiliza uma palavra de uso corrente e diverso daquele que se pretende utilizar, razão pela qual o utilizámos exaustivamente no decorrer do nosso trabalho.”
Arquivado em: A Escrita Cónia
*Galicismo[1] ou francesismo é uma palavra ou expressão de origem francesa, ou afrancesada, tendo ou não mantida a sua grafia original.
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