quarta-feira, outubro 22, 2008

PELA NATUREZA...MAS MAIS PELA GANÂNCIA...

As Caldas de Monchique era um Paraíso...

Lembro-me bem de ir lá muitas vezes, quando a água era límpida e pura, quando era tudo muito natural...em estado selvagem. Agora está tudo muito artificial, retiraram a magia que aquele recanto tinha e neste momento é mais um local para os porcos burgueses "chuparem" o que conseguírem.

Devido à ganância, as Caldas de Monchique tornou-se uma estância turística, onde nem as pessoas da terra podem ir sem ter de pagar...enfim, é quem pode comer mais à conta de quem tem trabalhado sol a sol para que toda aquela terra continue com os seus produtos regionais e que aquelas paisagens continuem sempre férteis e bonitas.



NOTICIA:


Recuperação das Caldas de Monchique ganha prémio


22-10-2008 |

A vila termal das Caldas de Monchique foi distinguida, no passado dia 10, com o prémio Algarve Maximus, na categoria “Equipamentos e Serviços Turísticos”.

A iniciativa foi promovida pela Região de Turismo do Algarve (RTA), que reconhece assim o investimento da Fundação Oriente na recuperação do património. O projecto, distinguido no decorrer de uma cerimónia realizada em Vilamoura, visa “estimular a qualidade do turismo na região e motivar as entidades do sector a inovar e a elevar os níveis de excelência na prestação de serviços”. O júri dos prémios, composto por personalidades como Francisco Pinto Balsemão, Maria Barroso, Miguel Sousa Tavares e Ruy de Carvalho, nomeou três candidatos em seis categorias para votação, cabendo a escolha final ao público (através do portal da Região de Turismo do Algarve) e da Comissão Instaladora do Turismo do Algarve. A vila termal das Caldas de Monchique reabriu em 2001, depois de encerrada durante seis anos para recuperação total dos edifícios e do espaço envolvente. Actualmente, fazem parte da vila cinco hotéis, dois restaurantes, spa termal, piscinas exteriores, loja de conveniência e artesanato e o tasco Wine Bar. Localizada a 15 quilómetros de Portimão, em plena Serra de Monchique, “a Vila termal das Caldas de Monchique revela-se como o Algarve de eleição para os amantes da natureza, assim como um marco incontornável para quantos desejem conhecer o verdadeiro Algarve”, salientam os responsáveis. “Este prémio é o reconhecimento do investimento feito pela Fundação Oriente para a recuperação do património, a qual, também, não teria sido possível sem a cooperação da Câmara de Monchique, nomeadamente do presidente Carlos Tuta”, afirmou o director-geral Tiago Martins Barata.

terça-feira, outubro 21, 2008

"Algarviadas"

A AMÊNDOA FALHUDA

António Nunes


Por volta dos anos setenta (1970), teria a minha filha mais ou menos 8 anos, morávamos em Alverca do Ribatejo, onde eu exercia a minha actividade profissional. Num período das minhas férias, como era e ainda é tradição nos Algarvios, as ditas férias só podiam ser gozadas no Algarve.

Há uma expressão giríssima que é a seguinte: - A malta de todas as regiões do país, quando vai de férias diz que vai à terra. Vocês, Algarvios, quando chega essa época vão ao Algarve!...

Portanto pelas férias viemos ao Algarve, como já disse, a minha filha tinha oito anos.

Um dia na casa dos meus sogros, onde se praticava a linguagem, com um número bastante elevado de termos regionais, que eu deliberei chamar no meu Livrinho “ALGARVIADAS”. Onde se dizia normalmente farrobas, zêtonas, trigue, também figue e outros termos mesmo nossos, que agora não vou aqui espalhar.

A minha sogra ofereceu à minha filha, meia dúzia de amêndoas das de casca macia, daquelas que hoje poucas há, mas que se partiam a dente, quem tivesse boa dentição. A criança mesmo as amêndoas tendem a casca mol, viu-se aflita para partir uma, acabando por me pedir que as partisse.

Nesse meio tempo a avó perguntou à neta, se gostou das amêndoas, ao que a miúda lhe respondeu:

- Não sei vó!... Ainda não comi nenhuma!

Perante tal resposta a avó tornou a perguntar:

- Nêm ó men’s conseguiste partir uma?

A minha filha respondeu prontamente:

- Parti uma mas estava xôxa!

Aquela Avó que comia qualquer coisa ia morrendo engasgada. Tivemos que lhe dar a célebre receita - umas palmadinhas nas costas - para ajudar a desentupir o garganete.

Depois do desengasganço e já bem recomposta dizia:

- Ai esta criança, fala tão mal!...

-Môce tira as mãos das algebêras, vai trabalher débe!






O CIGANO COM O BURRO COXO


Quem conhece os ciganos e a sua conversa, quem vai na conversa deles está feito. Há o ditado popular que define bem a categoria dos ciganos, que é o seguinte:

“- Um olho no burro, outro no cigano”.

Eles para o negócio são peritos, são bem capazes de “vender” o pai e a mãe, ou os dois juntos, mas só entregar um, ou se possível nenhum.

Um dia numa feira um homenzinho do campo, foi vender um burro que estava velho e coxo. Mancava de uma pata da frente. Os ciganos fizeram negócio com o homem, compraram-lhe o burro e trataram de arranjar o burro. Tosquiaram-no, meteram-lhe uma albarda menos velha e, no que respeita ao coxear, trataram de amarrar à outra pata que não coxeava, um cordel e apertaram até o burro se encolher, pondo-o a andar coxeava das duas, o que dava ideia de ser um andar próprio daquele animal.

-Quem não é burro pensa assim. Cada burre coxêa à sua manêra.

Agora chegou a vez de os ciganos venderem o burro. Primeiro um cigano deu-lhe uma sova, para o animal ter medo dele. Sova essa que o burro, mal ouvia a voz do cigano queria fugir, dando ideia de vivacidade.

Foram ter com o tal homem, ex dono do jumento e mostraram-lhe o animal. Ele às primeiras impressões disse que era o mesmo burro, ao que os ciganos responderam:

-Ai vezinhe até fique mal desposte com a su conversa. Atão o vezinhe nã vêi qu’ é um alimal más nove, ... quer ver ele a andar, nã coxêa!

Puseram o burro a andar e o cigano que deu a surra no jumento aos berros, o pobre do burro cuidava de fugir mas não podia, estava seguro pela arreata, que também era nova. O nosso homem esteve um bocado a olhar para os malabarismos dos ciganos com o pobre do animal, até que disse que o burro tinha um andar esquisito. Voltam os ciganos com a retórica:

-Àí eu é que tou a fecar desquesite com a su conversa. Atão o burre é ó nã é benite, tem um andar todo vaidoso e o vezinho a pôr defêtos! Má tão quer ou nã quer comprar o burro?

O homem foi na conversa dos ciganos e comprou o burro, pelo dobro do dinheiro que tinha vendido. Burro não era o burro, burro foi o dono que foi na conversa da ciganada, acabando por comprá-lo.

Moral da história: - O comércio, ou negócio, é a prática da troca com um fim lucrativo.
“Descobrir a Via Algarviana” no próximo domingo

“Descobrir a Via Algarviana” é a sugestão do Ciclo de Passeios Natureza 2008 “Descobrir São Brás Pé Ante Pé” para o próximo domingo, dia 26 de Outubro, um projecto que visa potenciar o eco-turismo no Algarve interior.

O passeio do próximo domingo, com ponto de encontro pelas 09:30 horas, no Parque da Serra (em Parises) é um convite para conhecer este típico sítio serrano e andar a pé, por entre os estevais da Serra do Caldeirão, numa extensão aproximada de 9Km.

Os interessados devem contactar a organização, pelo telefone 289 840 005 ou e-mail municipe@cm-sbras.pt. Para quem desejar, a Câmara Municipal efectua transporte em autocarro municipal até ao ponto de partida, desde o Terminal Rodovário.

segunda-feira, outubro 20, 2008

6º Encontro de Arqueologia do Algarve

A Câmara Municipal de Silves, em conjunto com o IGESPAR, a Universidade do Algarve e o Campo Arqueológico de Mértola, promove o 6º Encontro de Arqueologia do Algarve - O Gharb no al-Andalus. O encontro decorre nos próximos dias 23, 24 e 25 de Outubro de 2008, em Silves (na FISSUL).

José Luís de Matos, Pioneiro da Arqueologia Medieval Islâmica no Algarve, será a figura homenageada nesta edição.

Na verdade, este evento é, provavelmente, o mais importante seminário de carácter científico relacionado com a Arqueologia, que se realiza no sul do país e junta especialistas de renome mundial, tais como Juan Zozaya, Guillermo Rosselló-Bordoy, Maria de Jesus Viguera, Manuela Marín, Christine Mazzoli-Guintard, Christophe Picard, Pierre Guichard ou o português Cláudio Torres (responsável pelo Campo Arqueológico de Mértola). Este e muitos outros participantes discutirão temas que permitirão uma melhor compreensão da importância do O Gharb no al-Andalus. Para Silves, esta temática é da maior relevância, dada a conhecida relação histórica desta cidade com este período importante de presença muçulmana na Península Ibérica.

Todos os painéis serão seguidos de debates, que permitirão enriquecer a partilha de ideias e estarão, igualmente, disponíveis 20 posters de diferentes investigadores, que permitirão que os participantes tomem contacto com diferentes investigações.

A ficha de inscrição deste evento está disponível no site da Câmara Municipal de Silves, no link que a seguir se indica:

(http://www.cm-silves.pt/portal_autarquico/silves/v_pt-PT/pagina_inicial/noticias/Encontro+de+Arqueologia.htm ) e poderão solicitar-se mais esclarecimentos ao Sector de Arqueologia, através do telefone 282 440 800.

III Mostra dos Frutos Secos de Paderne

Recordar o que a agricultura representava

foto

Clique na imagem para a aumentar.
A Praça Comendador António Libâneo Correia já demonstrou ser o local indicado para a realização de festejos de cariz popular, e entre eles, está a Mostra dos Frutos Secos que, mais uma vez, foi organizada pela Junta de Freguesia de Paderne, contando com o apoio da Câmara Municipal de Albufeira e das várias associações locais que se fizeram representar no certame

Mais de uma dezena de tasquinhas, espalhadas pelo recinto, mostraram os diversos produtos, em que os frutos secos têm presença, como bolos, doces, saladas e outros produtos gastronómicos, sem esquecer as amêndoa, figos, nozes, amendoins, tremoços e azeitonas. A quantidade e a qualidade dos produtos suscitaram o interesse dos muitos visitantes presentes nos dois dias, com maior evidência no domingo.

As previsões atmosféricas não eram favoráveis mas o que aconteceu foram dias de sol, com temperaturas primaveris a convidar a sair de casa. Se mais não vieram foi porque a crise não aconselhou a fazê-lo.

A mostra era de frutos secos mas não faltou a animação com música e folclore, a cargo dos ranchos folclóricos do Calvário e de São Bartolomeu de Messines e do acordeonista-animador José Manuel Pasadinhas. Maria Emília Rodrigues, secretária da Junta de Freguesia, directora do evento, dirigiu as operações, apresentando os grupos musicais.

Esta mostra o que foi o passado

Na cerimónia de abertura, Francisco Manuel Fernandes Guerreiro, Presidente da Junta de Freguesia, saudou os visitantes e salientou a capacidade dos padernenses para integrarem eventos como este.

Castelão Rodrigues, Delegado Regional da Agricultura, afirmou:

“Começo por agradecer ter sido convidado para estar aqui partilhando convosco um pouco desta festa onde se mostrou o que são os frutos secos da freguesia de Paderne e do concelho de Albufeira.

Simboliza uma imagem do Algarve em que o figo, a amêndoa, a alfarroba e a azeitona eram os rendimentos de muitas famílias. Os tempos mudaram e hoje Paderne já não tem tantos frutos secos porque foram substituídos pelo regadio, nomeadamente os pomares de citrinos.

Esta mostra serve ainda para relembrar o que foi o nosso passado, o que é de enaltecer mas também fazer com que o mundo agrícola continue.

Parabéns pela qualidade dos produtos que aqui estão e que traduzem o que é o mundo rural, na sua tradição. A afluência que se vê neste recinto denota a importância desta feira mostrando que amanhá, se calhar, este espaço poderá ser pequeno para este evento”.

No domingo, antes do encerramento que acontecera mais tarde do que fora previsto, pois a temperatura amena convidava à permanência, foram entregues diplomas a todos os expositores e participantes no evento.