segunda-feira, outubro 20, 2008

III Mostra dos Frutos Secos de Paderne

Recordar o que a agricultura representava

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A Praça Comendador António Libâneo Correia já demonstrou ser o local indicado para a realização de festejos de cariz popular, e entre eles, está a Mostra dos Frutos Secos que, mais uma vez, foi organizada pela Junta de Freguesia de Paderne, contando com o apoio da Câmara Municipal de Albufeira e das várias associações locais que se fizeram representar no certame

Mais de uma dezena de tasquinhas, espalhadas pelo recinto, mostraram os diversos produtos, em que os frutos secos têm presença, como bolos, doces, saladas e outros produtos gastronómicos, sem esquecer as amêndoa, figos, nozes, amendoins, tremoços e azeitonas. A quantidade e a qualidade dos produtos suscitaram o interesse dos muitos visitantes presentes nos dois dias, com maior evidência no domingo.

As previsões atmosféricas não eram favoráveis mas o que aconteceu foram dias de sol, com temperaturas primaveris a convidar a sair de casa. Se mais não vieram foi porque a crise não aconselhou a fazê-lo.

A mostra era de frutos secos mas não faltou a animação com música e folclore, a cargo dos ranchos folclóricos do Calvário e de São Bartolomeu de Messines e do acordeonista-animador José Manuel Pasadinhas. Maria Emília Rodrigues, secretária da Junta de Freguesia, directora do evento, dirigiu as operações, apresentando os grupos musicais.

Esta mostra o que foi o passado

Na cerimónia de abertura, Francisco Manuel Fernandes Guerreiro, Presidente da Junta de Freguesia, saudou os visitantes e salientou a capacidade dos padernenses para integrarem eventos como este.

Castelão Rodrigues, Delegado Regional da Agricultura, afirmou:

“Começo por agradecer ter sido convidado para estar aqui partilhando convosco um pouco desta festa onde se mostrou o que são os frutos secos da freguesia de Paderne e do concelho de Albufeira.

Simboliza uma imagem do Algarve em que o figo, a amêndoa, a alfarroba e a azeitona eram os rendimentos de muitas famílias. Os tempos mudaram e hoje Paderne já não tem tantos frutos secos porque foram substituídos pelo regadio, nomeadamente os pomares de citrinos.

Esta mostra serve ainda para relembrar o que foi o nosso passado, o que é de enaltecer mas também fazer com que o mundo agrícola continue.

Parabéns pela qualidade dos produtos que aqui estão e que traduzem o que é o mundo rural, na sua tradição. A afluência que se vê neste recinto denota a importância desta feira mostrando que amanhá, se calhar, este espaço poderá ser pequeno para este evento”.

No domingo, antes do encerramento que acontecera mais tarde do que fora previsto, pois a temperatura amena convidava à permanência, foram entregues diplomas a todos os expositores e participantes no evento.

O Mar...e as suas gentes...

Tavira mostra ligações ao mar

Tavira tem uma forte ligação ao mar e vai mostrar alguns aspectos dessa relação na exposição “Tavira: patrimónios do mar”. Leia aqui.

A exposição “Tavira: patrimónios do mar” é inaugurada no dia 25 de Outubro, às 18h00, e prolonga-se até dia 17 de Junho de 2009, no Palácio da Galeria.

A mostra vai analisar a relação da cidade com o mar, numa perspectiva cronológica, com preocupações informativas e educativas.

A exposição foi desenvolvida a partir de espólios arqueológicos e objectos artísticos, cartas (parietal de 1790, Sande Vasconcellos com 4 metros e projecto de encanamento do Gilão de 1825), mapas, esculturas, ex-votos, modelos tridimensionais e uma peça multimédia.

Os visitantes vão poder observar a descrição das alterações físicas e territoriais provocadas pelas hidrodinâmicas do estuário e as mutações das ilhas-barreira, as mobilidades humanas que levaram à fundação da cidade, a evolução de elementos arquitectónicos, as economias locais, as rotas comerciais entre a Ásia, o Mediterrâneo e o Norte da Europa que marcaram a cidade, as religiosidades marítimas e também as novas funções do mar trazidas pelo século XX.

“Tavira: patrimónios do mar” é uma exposição preparatória do futuro Museu da Cidade que envolveu especialistas de várias formações científicas (geógrafos, arqueólogos, historiadores de arte e urbanismo, sociólogos, arquitectos, maquetistas, cineastas…) e, também, muitos testemunhos de gente ligada ao mar.

Outubro: Feiras Tradicionais Algarvias

II Feira da Perdiz em Martim Longo

Data: de 2008-10-25 a 2008-10-26
Martim Longo
Municipio de Alcoutim

Aproxima-se a Feira da Perdiz em Martim Longo. a segunda edição da Feira da Perdiz decorrerá no fim de semana de 25 e 26 de Outubro, das 10.00h às 24.00h no Pavilhão Desportivo de Martim Longo.

No certame, organizado pela Câmara Municipal de Alcoutim, conta com grande variedade de artigos ligados à caça, venda de produtos de artesanato e gastronomia ragionais, música com acordeonistas e várias actividades desportivas, como o rappel, escalada, slide, tiro com arco e tiro virtual. O programa da feira integra ainda a colecção de aguarelas da autoria do pintor Carlos Luz.

A feira da perdiz é uma iniciativa que promove e divulga uma das melhores e maiores potencialidades da serra algarvia, a caça.

Programa Feira da Perdiz

sábado, outubro 04, 2008

...O que me vai na Alma...

Arrependo-me muitas vezes de ter falado, nunca de me ter calado.





Quem tem coragem para enfrentar os perigos vence-os antes que eles o ameacem.



Uma boa causa não teme nenhum juiz.


Públio Siro
Roma Antiga, [-85--43], Poeta





O homem livre é aquele que não receia ir até ao fim da sua razão.

Jules Renard
França
[1864-1910]
Novelista/Dramaturgo





Só é digno da liberdade, como da vida, aquele que se empenha em conquistá-la.

Johann Wolfgang von Goethe
Alemanha
[1749-1832]
Escritor, Cientista, Mestre de Poesia, Drama e Novela





A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida.

Miguel de Cervantes Saavedra
Espanha
[1547-1616]
Escritor

domingo, setembro 28, 2008

14!

Alcoutim tem a taxa de natalidade mais baixa do Continente

Alcoutim: onde estão as crianças?
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Em Portugal os bebés são cada vez menos, a avaliar por um estudo do INE. No Continente, Alcoutim bateu todos os recordes: só cinco nascimentos em 2007.

Na hora da saída, no infantário “A Joaninha”, a confusão é geral. Parece até que são muitos, os 23 catraios que compõem o único infantário de Alcoutim, mas se pensarmos que são apenas 23, entre os zero e os cinco anos, numa população de 3500 habitantes, rapidamente se percebe que alguma coisa não está bem.

“Em Vila Real de Santo António há sempre listas de espera enormes, mas aqui no infantário há sempre vagas”, diz Sónia Marques, responsável pelo “A Joaninha”.

“Temos vantagens, trabalhando com menos crianças, mas para o futuro é grave!”, reconhece.

A desertificação do município não é um dado novo, mas segundo as estatísticas demográficas mais recentes do INE, a situação atinge contornos deveras preocupantes: em 2007, Alcoutim foi o concelho com menos nascimentos, em Portugal Continental, apenas cinco ao todo, e só superado pela Ilha do Corvo, Açores, onde nasceram três bebés. Só que o Corvo tem apenas 300 habitantes, contra os mais de 3 mil de Alcoutim.

“Aqui, a partir das 5 da tarde, já não há nada”, diz Nídia Simão, mãe de uma das poucas crianças recém-nascidas no município (Luciana nasceu em Faro, mas foi registada em Alcoutim). Nídia, 22 anos, trabalha na Estalagem, que pertence a um grande grupo hoteleiro, mas conta “zarpar” para Albufeira dentro de dois ou três anos, fruto da estagnação que se vive por estas bandas. “Comprar roupa, sapatos ou ir ao cabeleireiro é sempre fora. E discotecas, só em Vila Real de Santo António!”, reclama. De resto, emprego também não é algo que abunde por aqui: “Se uma pessoa se quiser empregar, ou vai para a Câmara, ou para os Bombeiros, ou para o Lar de Idosos, ou então na Escola, mas já está tudo cheio”, afirma. Nídia até nem se importava de ajudar a melhorar as estatísticas, mas a vida – diz – não está para isso. “A ganhar 600 euros, se comprarmos uma casa que aqui custa perto de 100 mil, ficamos a pagar ao banco perto de 500 ou 600! Então como é que dá?”, questiona.

Francisco Amaral, presidente de Alcoutim, percebe bem as razões dos jovens, e explica porquê: “A principal causa da desertificação foi a Reserva Ecológica que nos impingiram. A partir da última casa é reserva e as pessoas não podem fazer nada”, critica. Uma simples janela, aumentar uma divisão, construir uma casa para os filhos, nada é simples em Alcoutim devido às restrições ambientais impostas pelo Estado português, o mesmo que assiste, impávido e sereno, à extinção da população neste local remoto do Algarve. A autarquia esforça-se por inverter o ciclo, mas Amaral reconhece que não é tarefa fácil: vendem lotes habitacionais a um preço simbólico, apoiam na compra dos livros (70 euros por aluno), fomentam actividades lúdicas e culturais para os mais novos (futebol, dança, canoagem e música). “Temos campeões nacionais de canoagem, agora, e isso é resultado de um investimento que está a dar frutos”, diz Amaral.

Na terra, ainda há quem resista

O sítio chama-se Zorrinho, Zorrinho de Cima, mas nem o Zorro com o seu espadachim conseguiria por esta altura travar o abandono das terras e das gentes. “Isto está complicado. Então com 30 euros por uma saca de guano (estrume), como é que dá para semear?”, questiona Francisco Luís, 83 anos, nascido e criado por estas paragens.

“Já tenho 83 anos e criei-me aqui, porque é que eles não se hão-de criar?”, pergunta, enquanto dá ração às cabras. O rebanho tem mais de 150, e constitui uma das formas de sustento da família, do filho, do neto e do bisneto Gabriel, de 16 meses, mais um dos “recém-nascidos” a tentar contrariar as estatísticas. Tânia, a mãe, trabalha numa padaria – uma das principais indústrias do concelho - a três quilómetros de casa. “Gosto do que faço. Se calhar com a minha formação, podia procurar emprego noutro lado, ganharia ligeiramente melhor, mas com o preço da gasolina e de um infantário ficaria com menos dinheiro”, reconhece Tânia, aos 27 anos, orgulhosa por não abandonar a terra que a viu nascer. Dado curioso, a mãe – a avó Maria – teve nada mais nada menos que oito filhos. No sítio do Pessegueiro, Maria de Jesus é a excepção que confirma a regra, mas hoje, a cuidar dos netos, não deseja a mesma sorte à filha. “Eu sei o trabalho que deram, se eles vierem terá de os aguentar, mas não quero para ela o mesmo que eu tive”, conclui.