terça-feira, novembro 06, 2007

O Megalitico: Menires do Algarve

Os menires do Algarve constituem um conjunto muito individualizado no contexto da Península Ibérica e não só: destacam-se, sobretudo, no que diz respeito à morfologia e à decoração dos monólitos, assim como ao contexto arqueológico em que a maioria se insere. Em termos regionais, os menires apresentam uma concentração marcada no extremo ocidental da província e uma rarefacção progressiva de ocidente para oriente. A matéria-prima (com apenas duas excepções - menos de 1%) é constituída por rochas sedimentares provenientes do substrato geológico regional: em primeiro lugar, o calcário, seguido pelo arenito, sendo que, muitas vezes, existe discordância entre a matéria-prima e o substrato local, implicando, por isso, algum esforço de transporte.








Os menires algarvios correspondem geralmente a formas subcónicas ou subcilíndricas, muitas vezes com a extremidade distal demarcada. A maioria dos monólitos parece ter sido objecto de afeiçoamento, operação relativamente facilitada pela escassa dureza do material.









Listagem (clicar para ter informação de trabalhos realizados)















Adreneira (3) (Vila do Bispo)



3 menires que terão integrado um cromeleque.



Dois deles apresentam uma forma subcónica e o restante sub- paralelepipédica. Datam do Neolítico final.



Junto aos Menires foram encontrados: um fragamento inerente a um dormente de uma mó, uma enxó e ainda indústria de sílex.







Afonso Vicente 1 (3) (Alcoutim)
Afonso Vicente 2 (4) (Alcoutim)







Alcalar 1 (Portimão)
Alcalar 4 (Portimão)



O sítio de Alcalar era, no III milénio a. C., um território de vastos recursos de subsistência que propiciou uma intensa ocupação humana, desenvolvendo-se vários povoados em torno deste “lugar central”. Os monumentos funerários megalíticos destas comunidades eram erigidos sobre pequenas elevações, apresentando várias soluções arquitectónicas, desde o “tholoi” com cripta rematada com falsa cúpula, passando pelos dólmenes, formados por monólitos de arenito, até um hipogeu escavado artificialmente na rocha, para enterramento colectivo.







Alfarrobeira (Silves)



Menir do período neolítico, convertido em estela decorada na idade do bronze. Apresenta forma subcilíndrica, com extremidades hemisféricas e mede 1,70 m de altura. Está adornado com elementos decorativos, dispostos verticalmente. Foi talhado em grés vermelho. Este menir encontra-se no Museu de Arqueologia de Silves.



O Monte de Alfarrobeira, convertido em estela decorada na idade do Bronze, e os do Cerro da Vilarinha, dos Gregórios e de Abutiais, que se encontram tombados.







Almarjão (2) (Silves)










Amantes I (17) (Vila do Bispo)
Amantes II (10) (Vila do Bispo)



Conjunto de 3 menires, talhados em calcário branco, com forma subcilíndrica e troncocónica. O Cromeleque dos Amantes situa-se a duzentos metros do casario do Monte dos Amantes, mais concretamente a 1,8 quilómetros de Vila do Bispo. Encontram-se vários menires que faziam parte de dois cromeleques, sendo o mais pequeno, e o melhor conservado, constituido por 7 menires em pedra calcária branca dispostos numa elipse com o eixo maior com 35 metros e o menor com 26 metros. Os menires do Cerro do Camacho são 5 menires de calcário branco com uma forma subcilíndrica ou ovóide, dispersos no terreno. Num destes é possível verificar várias inscrições, que segundo alguns arqueólogos, poderá tratar-se de um "marco de propriedade" , cuja cruz esculpida e os círculos em relevo são identificadores do proprietário, possivelmente uma ordem religiosa.



Situa-se, sensivelmente, a Sueste de Vila do Bispo e junto ao traçado da antiga Estrada Nacional n.º 268, entre Vila do Bispo e Sagres. É composto por exemplares bastante diversificados de Menires, boa parte deles decorados. A sua cronologia rondará os IV-III Milénios a.C.. Em período mais tardio foi edificada uma construção funerária para sepultamento colectivo.










Areia das Almas (11) (Lagoa)







Aspradantas (3) (Vila do Bispo)



O monumento existente, situa-se no cimo de uma cumeada com 95 m de altura, sobre a Ribeira de Vale Pocilgão, a cerca de 1 Km Nordeste de Hortas de Tabual, encontra-se um monólito, em calcário de cor branca, com forma subcilíndrica, medindo 2 metros.









Elevação debruçada sobre a Ribeira de Vale Barão. São visíveis à superfície abundantes vestígios de sílex. A elevação encontra-se cortada pela estrada que liga Barão de S. Miguel à EN 125. Junto encontra-se um fragemnto de calcário que pode ter pertencido a um menir.










Barradas (Vila do Bispo)







Bem Parece (Vila do Bispo)



O menir de Bem Parece constitui-se por uma pedra de grandes dimensões, de forma subcilindrica e cor branca. Mede cerca de 1,60 m de altura. Encontra-se actualmente tombado sobre o terreno.







Benagaia (Silves)



Menir de Benagaia, (com meio metro de altura) talhado em calcário. Bélito exposto no Museu Municipal de Arqueologia de Silves.







Bensafrim (Lagos)
Bensafrim: O povoamento do território que compreende a actual freguesia deu-se em tempos remotos, um facto comprovado pelos vestígios arqueológicos encontrados na freguesia, como é o caso de menires, bem desenvolvidos e de fácil reconhecimento e de uma necrópole da Idade do Ferro. Aqui foi confirmada a presença romana, pois nesta necrópole foram encontradas incineração pertencentes a este povo, de onde se retiraram fragmentos de cerâmica, pregos, armas e algumas peças de bronze do século I d. C.. O espólio da necrópole pré-romana incluía vasos cerâmicos, um anel de cobre, argolas de bronze, fuzilhões de fíbulas, pontas de lança em ferro, uma pequena argola de ouro, contas de vidro colorido e lajes funerárias com caracteres ibéricos.








Budens (Vila do Bispo)
Menir de Budens: Compõe-se por um monólito de talhado em calcário branco. Apresenta uma forma subcilindrica e 0,90 m de altura.





Caramujeira (26) (Lagoa)
Menires da Caramujeira: As 2 pedras identificadas a 15-11-1975 eram de facto parte de um menir fálico em calcário, decorado com 2 faixas ondulantes, cada uma formada por 4 cordões em relevo; - existem materiais liticos e cerâmicos in situ nos cortes da antiga exploração da saibreira; -existem outros 9 fragmentos de menires, um com decoração semelhante ao referido acima; -a cerca de 300 a sul, numa outra saibreira, foram encontrados mais 6 fragmentos de menires, alguns quase inteiros e 3 deles com decoração semelhante.





Carriços (5) (Vila do Bispo)
Menires dos Carriços: Localizam-se a cerca de 1 Km a NE da povoação da Figueira, mais concretamente nas encostas da Ribeira dos Carriços. Tratam-se de 5 menires, talhados em calcário de cor branca. Apresentam formas subcónicas e paralelepipédicas. Datam do Neolítico Final.





Casa do Francês (6) (Vila do Bispo) - Foto (aqui)
Menires da Casa do Francês: Trata-se de 6 menires, talhados em calcário, tendo um deles a glande fálica marcada por um cordão em relevo. O conjunto apresenta ainda uma laje decorada em forma sub-trapezoidal.





Castanheiro (4) (Lagos)








Cerro das Pedras (3) (Loulé)
O dólmen do Cerro das Pedras, o menir caído de Alagoas em pedra calcária trazida de longe, ambos nas proximidades de Salir, e as antas do Beringel e Pedra do Alagar (Ameixial) são vestígios que recuam até ao período megalítico.






Cerro do Camacho (5) (Vila do Bispo)
Os menires do Cerro do Camacho são 5 menires de calcário branco com uma forma subcilíndrica ou ovóide, dispersos no terreno. Num destes é possível verificar várias inscrições, que segundo alguns arqueólogos, poderá tratar-se de um "marco de propriedade" , cuja cruz esculpida e os círculos em relevo são identificadores do proprietário, possivelmente uma ordem religiosa.









Cruzinha (Portimão)




Cumeada (Silves)









Ferrel de Cima 1 (Lagos)


Figueira (8) (Vila do Bispo)

Menires da Figueira: Foram identificados um conjunto de oito menires em cálcário, parte deles decorados. O maior monumento deste conjunto encontra-se tombado e fragmentado junto ao vértice geodésico de Figueira, num cimo do cerro de 93m de altura, tendo outros dois sido recolhidos para Museus regionais.

Tratam-se de 8 menires, talhados em calcário branco, apresentando as seguintes formas: subcilíndrica, subcónica e paralelepipédica. Um dos menires encontra-se ornamentado com semi-elipses em torno de um cordão que envolve o volume distal.

Existem ainda 2 menires que apresentam ornamentação. Encontram-se decorados com cadeias de elipses, em relevo, unidas por um cordão longitudinal também em relevo.




Figueiral (8) (Lagos)
(*)





Gasga (6) (Vila do Bispo)

Menires da Gasga: Identificaram-se seis menires, talhados em calcário, com forma subcilindrica ou subcónica.

Situam-se numa elevação sobre a Ribeira da Serra Borges. Datam do Neolítico final (IV- III milénios A.C.).




Gregórios (Silves) - Fotos (aqui e aqui)

Menir dos Gregórios: Monumento do Neolítico final. Monólito de forma subelipsoidal, estreito, talhado em grés vermelho.

É um monumento monolítico de forma subelipsóidal. Tem uma largura muito reduzida, parecendo uma estrela e 2,35 metro de altura. Foi recentemente colocado na posição vertical. Existem mais dois menires que sofreram a mesma intervenção, o Menir da Velarinha e o Menir da Pedreirinha, que se encontram a cerca de 3Km do Menir do Gregórios, seguindo pelo cerro, em direcção a Nascente.



Guadalupe (Vila do Bispo)

Menir de grés, grosseiramente, desbastado. Comp. 167 Cm x larg. 98 cm. No terreno encontram-se vários restos de talhe de sílex à superfície.



Ingrina (3) (Vila do Bispo)

É constituida por 2 cistas, estruturadas por lajes de calcário. Junto a estas recolheram-se fragmentos de cerâmica inerentes a taças carenadas. Este monumento data da Idade do Bronze. Perto da necrópole encontram- se 3 menires.




Ladeiras (2) (Vila do Bispo)

Tratam-se de 2 menires, talhados em calcário branco, com forma subcilíndrica. Um mede apenas 0,47m e o outro 2,5m. Localizam-se num cerro sobre a Ribeira da Serra Borges



Lameira (Portimão)


Lombos (3) (Lagoa)
Menir de Lombos: Planalto de areias quaternárias com 89m de altura onde foram recolhidos artefactos de pedra lascada com talhe "tipo languedocense", cerâmica com decoração, artefactos de pedra polida e elementos de mó. Foram ainda descobertos nesta estação inédita, três bétilos em calcário de forma subcónica.


Maranhão Novo (Lagos)


Marmeleiros (3) (Vila do Bispo)


Marreiros I (3) (Vila do Bispo)
Menires dos Marreiros: Foram identificados dois agrupamentos diferentes de menires, sendo possível recolher, apenas próximo de um deles, vestígios de material em pedra polida. Todos os menires apresentam, a mesma forma subcilindrica e são de côr branca.


Marreiros II (4) (Vila do Bispo)
Tratam-se de 2 conjuntos de menires, talhados em calcário, apresentando cor branca e uma forma subcilindrica ou estelar. Localizam-se a 1250 m de Vila do Bispo , mais concretamente na margem esquerda da Ribeira de Vale Marreiros.


Milrei (21) (Vila do Bispo)
Menires de Milrei: Tratam-se de 21 menires talhados em calcário branco, cujas formas variam entre: subcónica, cilíndrica e paralelepipédica. As superfícies de alguns deles apresentam-se decoradas com covinhas e cordões de elipses. Datam do Neolítico Final.


Monte Alto (Lagos)
Sítio localizado por João Velhinho e David Calado. No local os autores recolheram um fragmento de cerâmica manual decorado com cordões plásticos e identificaram um menir prismático. Aquando da visita ao local foi observado o menir mas a vegetação não permitiu a detecção de materiais arqueológicos à superfície.



Monte Branco (Silves)









Monte de Roma (Silves)








Morgados (Vila do Bispo)
Menir de Morgados: Localiza-se próximo de Budens, mais concretamente ao Km 8 da EN 125. O monumento compõe-se por um fragmento, que contem o volume de um menir. É talhado em calcário, de cor branca e apresenta forma subcilindrica.




Odiáxere (Lagos)
Menir de Odiáxere, (O): Sítio localizado por J. Velhinho e David Calado, localiza-se no limiar da plataforma do interflúvio Bensafrim/Odiáxere. No local foi identificado um menir semelhante aos que surgem decorados, mas a superfície encontrava-se de tal forma erodida que não era possível o reconhecimento de eventuais símbolos. O menir foi destruído no decurso das obras de construção do IC4 - Lagos/Lagoa.




Padrão (15) (Vila do Bispo)
Menires do Padrão: Inventariação dos menires da área (10 monumentos). Escavação integral do menir 1 do Padrão, onde foi identificada uma estrutura de combustão em fossa com restos de moluscos associados e um pequeno empedrado anexo.O espólio encontrado remete para um horizonte integrável no Neolítico final- Calcolítico inicial. Realização de sondagem junto do menir 2 para comprovar que não se tratava de um afloramento rochoso, escavação junto daestela-menir 8 (raro monumento antropomórfico e aparentemente "in situ"
Para a sua datação são apontados os 4º/3º Milénios a.C.




Palmares (4) (Lagos)




Pedra Branca (Lagos)




Pedra Escorregadia (3) (Vila do Bispo)
Menires da Pedra Escorregadia: Menir 1- Parece ser o monólito a que corresponde aquele topónimo. Em calcário branco, subcilíndrico, com 2m de altura, mostra secção elíptica medindo os eixos ortogonais da sua maior secção 1,10m e 0,80m.Encontra-se tombado; Menir 2 -Muito fragmentado, encontra-se no topo do cerro; Menir 3 -Encontra-se a 10m do menir 2.È apenas a parte superior de um grande menir, de forma tronco-cónica, de calcário branco, com 1,5m de altura e secção elíptica cujos eixos maiores medem 0,95m e 0,80m.Encontra-se tombado.A cerca de meia altura mostra, incisa uma gravura muito fina em forma de elipse.




Pedra Moirinha (Portimão)
Sítio da Pedra Moirinha: Trata-se de um grande penedo de sienito nefelínico que foi arrastado da serra de Monchique e, se encontra agora assente sobre terrenos miocénicos. Não sendo de admitir o transporte por acção glaciária, o que está geologicamente comprovado, há que admitir a acção do homem pré-histórico e considerar a Pedra Moirinha como sendo um monumento megalítico, muito provavelmente um menir de características únicas no país.



Pedras Ruivas (Loulé)




Pedras Ruivas (Portimão)




Penedo Gordo (Silves)
Monumento de corredor médio, apresentando vestígios de mamoa. A câmara de nove esteios, tem planta poligonal alongada, com cerca de 3,30m de comprimento e 2,70m de largura.O corredor, com cerca de 3m, é formado por 4 esteios de cada lado.Não foi encontrado qualquer fragmento da tampa do dólmen.




Pinheiral (2) (Lagos)
Tipologicamente o povoado fortificado do Pinheiral integra-se no conjunto de povoados fortificados designados por "castros agrícolas", caracterizados pela sua instalação em colinas de baixa altitude, em zonas férteis e bem irrigadas de vale, apresentando geralmente uam única plataforma e priviligiando o talude e o fosso como sistema defensivo. Com base na cerâmica presente na bolsa e nas camadas que a cobriam podemos caracterizar cronológicamente, por comparação com cerâmicas presentes noutras estações, a última fase de ocupação do povoado - entre meados do séc. I a.C e meados do séc. I d.C.




Pontais (Silves)
Menir dos Gregórios ou Pedra dos Cucos: Monumento do Neolítico final. Monólito de forma subelipsoidal, estreito, talhado em grés vermelho. Encontra-se tombado.
É um monumento monolítico de forma subelipsóidal. Tem uma largura muito reduzida, parecendo uma estrela e 2,35 metro de altura. Foi recentemente colocado na posição vertical. Existem mais dois menires que sofreram a mesma intervenção, o Menir da Velarinha e o Menir da Pedreirinha, que se encontram a cerca de 3Km do Menir do Gregórios, seguindo pelo cerro, em direcção a Nascente.








Portela do Padrão (4) (Lagos)
Menires da Portela do Padrão: Perto do alinhamento dos quatro menires encontram-se outros pedaços de calcário, certamente provenientes de outros megálitos.




Quinta da Queimada (7) (Lagos)
A Quinta da Queimada é o melhor preservado povoado com menires actualmente conhecido em toda a Extremadura. Foi possível realizar uma série de datações OCR. os estratos foram datados cada 5 cm. Aguardam-se os resultados de outra datação paralela (OSL). Procederam-se a análises mineralógicas e petrográficas de cerâmicas e líticos. Foram determinadas as áreas de origem da matéria prima. Procedeu-se à reconstituição das séries de sedimentação junto ao menir 3, com base nas datações provisórias de OCR. Toda a evolução sedimentológica do sítio foi unificada entre o VI milénio a.C. e aproximadamente 6500 d.C. Verificou-se a existência de estruturas construídas e distribuição micro-espacial de elementos líticos.




Rocha (2) (Lagos)




Rocha Branca (Silves)




Rochedo (Lagos)
Apesar do menir se encontrar localizado perto do limite da propriedade, este não será afectado directa ou indirectamente pela exploração da pedreira.




S.Rafael (2) (Albufeira)




Sabrosa (4) (Lagos)




Salgadas (Lagos)
Sítio identificado por J. Velhinho e David Calado, caracterizado pela presença de fragmentos de machados mirenses e peças em sílex. Localiza-se numa vertente voltada a sul, nas imediações de uns barrancos perto do local onde se encontrava o menir das Salgadas.



Santo António (2) (Vila do Bispo)
Tratam-se de restos de menires, talhados em calcário branco, com forma subcilíndrica. Localizam-se a 4 Kms NE do Cabo de S. Vicente e a 500 m da Ermida de Santo António.


Santo António de Cima (Vila do Bispo)
Foram recolhidos à superfície do terreno, indústrias sobre seixos e sobre lascas.




Serra da Borges (4) (Vila do Bispo)
Menires da Serra da Borges: Elipses segmentadas cujo eixo maior é extremamente alongado




Torre (2) (Lagos)








Vale da Lama (Silves)




Vale de França (Portimão)
Conjunto de dois menires junto a uma estrada, no Vale de França. Um deles foi recentemente removido do local e reimplantado sem qualquer tipo de intervenção arqueológica.




Vale de Gato de Cima (3) (Vila do Bispo)
Menires de Vale de Gato de Cima: Situam-se a 3 Kms de Vila do Bispo, mais concretamente a cerca de 250m do Monte do Vale do Gato de Cima. Tratam- se de 3 menires, talhados em calcário, de cor branca. Datam do neolítico final (IV- III A.C.).
Recolheram-se á superfície do terreno, artefactos de tipo mirense, nomeadamente machaodos, raspadores e lascas.




Vale de Oiro (2) (Vila do Bispo)
Menires do Vale do Oiro: Tratam-se de 2 menires, localizados num cerrinho, a cerca de 250m SO do Km 5 da EN 125, a poente da povoação da Figueira. São talhados em cacário, de cor branca e apresentam uma forma subcilíndrica. Datam do Neolítico final.
Localização e identificação de dois monólitos , assentes obre xistos e grauvaques, tombados sobre o terreno.




Velarinha (Silves)
Existem mais dois menires que sofreram a mesma intervenção, o Menir da Velarinha e o Menir da Pedreirinha, que se encontram a cerca de 3Km do Menir do Gregórios, seguindo pelo cerro, em direcção a Nascente.






A decoração, pouco variada, mas muito frequente (mais de 50%) repete esquemas gráficos/simbólicos geométricos em que os menos originais serão certamente os conjuntos de linhas paralelas ondulantes, longitudinais, com diversas ressonâncias na arte megalítica atlântica (Bueno e Balbín, 1995). Na maior parte, trata-se de motivos geométricos, organizados quase sempre ao longo de linhas longitudinais, sem paralelos imediatos nos restantes sistemas iconográficos do megalitismo europeu (David Calado, 2000a). Muitos dos menires isolados e dos conjuntos de menires ocorrem associados a vestígios de habitat neolíticos - e, muitas vezes, também mesolíticos (Gomes, 1996; Bicho et al., 2000) - aspecto que, como referi, constitui um dos traços mais originais dos menires algarvios (David Calado, 2000a, b; David Calado et al., 2003)). Contrariando uma ideia feita, aparentemente válida em algumas áreas megalíticas peninsulares (Ruiz et al., 1993), os menires do Algarve ocidental concentram-se em territórios virtualmente vazios de megalitismo funerário. Em termos de dimensões, os menires algarvios são, à escala da Península Ibérica, de tamanho pequeno e médio, nenhum deles atingindo os 4 m de comprimento e com alguns de porte tão reduzido que poderiam talvez ser classificados como bétilos. Como é habitual com os restantes menires ibéricos, a maioria dos exemplares conhecidos no Algarve, encontra-se tombada (apenas cinco foram descobertos erectos). Para além disso, os conjuntos identificados, que correspondem a possíveis recintos, apresentam um tal grau de desarticulação que se torna impossível reconstituir a respectiva planta original. Efectivamente, mesmo nos sítios que foram objecto de escavações, não foi, até hoje, possível obter esse tipo de informação. Ainda por esclarecer de uma forma cabal, persiste a questão da relação funcional e cronológica entre os menires e os materiais que, norma geral, lhes estão espacial, ou mesmo estratigraficamente, associados. Para além desta associação recorrente, foram obtidas duas datações radiocarbónicas de uma lareira, junto ao menir do Pedrão, com valores calibrados da segunda metade do VI milénio a. C.. O escavador (Gomes, 1996) refere que "a camada arqueológica a que correspondia a ocupação datada pelo 14C cobria as fossas de implantação dos dois menires", o que implicaria alguma anterioridade do monumento em relação às datações obtidas e sugere um modelo para a relação entre os menires e os habitats.

quarta-feira, outubro 31, 2007

DOIS ALGARVES: O Interior e o Litoral...







DOIS ALGARVES – O Caso de Alcoutim



(Texto de Nuno Silva)

No outro dia, tive a oportunidade de assistir a uma reportagem cujo objectivo era mostrar a vida das pessoas em Alcoutim, contrastando com o que se passava em Albufeira. Foi, por assim dizer, uma excelente oportunidade para verificarmos, com testemunhos reais, um Algarve com duas velocidades, manifestamente distintas.


Enquanto em Albufeira os seus habitantes destacaram a vida intensa, própria de uma média/grande cidade, e também toda a panóplia de eventos e faculdades, que de uma forma ou de outra lhe deram mais vida, em Alcoutim, lamentaram-se oportunidades perdidas e meditou-se muito sobre qual o futuro que lhes estava reservado. Urge parar um pouco neste último caso para estendermos esta meditação. Alcoutim é um dos concelhos mais pobres do Algarve e quiçá do próprio sul de Portugal. Apesar do esforço notável do Dr. Francisco Amaral, ilustre presidente da autarquia, e restantes autarcas, na prossecução de mais obras e mais atenção para os alcoutenejos, sabemos que muitos, precisamente aqueles que mais deveriam ajudar, têm-se esquecido deste concelho que vive paredes meias com uma Espanha que cresce a olhos vistos e com o Alentejo, também ele pobre e desamparado.

Creio que é chegada a hora de berrar porque já não se pode ficar apenas pelo grito de alerta. Tal como dizia alguém naquela reportagem, para combater a diminuição de pessoas, ajudando-as a ficar, já não vamos a tempo. Porventura, já vamos tarde demais. Por isso, só falta mesmo berrar, de uma forma persistente e bem audível. Esta coisa do politicamente correcto, por vezes, não resulta.

E, face ao abandono e aos dados preocupantes que são recolhidos periodicamente, não sei se já não terão condenado alguns locais ao desespero e má fortuna definitiva. Mas, enquanto ainda há vida, há esperança. Urge então falar claro sem preconceitos.

É necessária uma discriminação positiva urgente, para que possamos estancar o que ainda for possível. E quando escrevo discriminar, defendo uma postura que não se resigne a um conjunto de medidas avulsas, muitas vezes sem pró actividade nenhuma, apenas fruto de circunstâncias temporais. Estamos um pouco fartos da inércia e da entrega voluntária de locais a um destino sem conteúdo algum, e que apenas fere a memória de gerações que cresceram e constituíram família.

Hoje, apesar de votados ao abandono, ainda conseguimos, se quisermos, dar-lhes uma nova vida, assim sejamos audazes e criativos nas políticas a seguir.

Dir-me-ão alguns que fazer com que o interior volte a viver de novo é uma tarefa inexequível. Se assim for, terei de relembrar a certas mentes mais centralizadoras, que quando estivermos todos nas grandes urbes e olharmos para um país encolhido e cheio de oportunidades perdidas, estaremos a ser um Portugal diminuído em vez de fortalecido. É uma questão de escolher.




Depois deste texto ilustrativo e alarmante sobre o nosso Interior Esquecido, deixo aqui o meu testemunho sobre o maravilhoso recanto, que é a vila de Alcoutim. Leiam e desfrutam através do imaginário, todo um local mágico e único do nosso Algarve Profundo.


Alcoutim e arredores

Vila simpática, à Beira rio e com vista para a vizinha Espanha. Alcoutim, terra algarvia, que nasceu e cresceu na margem direita do rio Guardiana.

A presença humana no território que actualmente existe no concelho de Alcoutim poderá remontar ao Paleolítico Médio, pois foram descobertos vestígios arqueológicos deste período, na freguesia do Pereiro. Mas terá sido a partir do Neolítico (5.000 a.C. a 3.000 a.C) que as populações construtoras de megálitos se fixaram um pouco por todo o território de Alcoutim. Testemunhos dessa presença são os vários exemplos de monumentos megalíticos espalhados pelas cinco freguesias. Antas, menires, tholos ou cistas megalíticas merecem uma visita.

Testemunhos:

Situado entre as povoações das Cortes Pereiras e Afonso Vicente, o Conjunto Megalítico do Lavajo (3500 a.C.) é constituído por um alinhamento de três menires e quatro estelas menires que distam entre si cerca de 250 metros. O local encontra-se devidamente musealizado e com sinalética indicadora. Os objectos ali encontrados poderão ser vistos no núcleo de arqueologia em Alcoutim.

A cerca de um quilómetro, em linha recta, deste local identificou-se um interessante monumento funerário – A Anta do Malhão. A anta está situada no topo da elevação mais proeminente de toda uma vasta região, junto da Estrada Municipal 507 e em frente da povoação de Afonso Vicente. O monumento encontrava-se inviolado, retratando uma situação raríssima, só excepcionalmente verificada em Portugal.

A confirmação da continuidade de comunidades humanas, são as necrópoles de cistas da Idade do Bronze e do Ferro.

Quanto ao Período Romano: são inúmeros os vestígios que nos dão a conhecer a existência de comunidades organizadas em núcleos habitacionais ou núcleos familiares. Sobretudo na zona litoral, onde se situam maioritariamente os melhores terrenos agrícolas, e é comum detectar essa presença romana, onde o Guadiana constituia uma grande atracção como via de penetração das rotas comerciais, que ligavam esta terra a todo o mediterrâneo.

Testemunhos:

Barragem Romana do Álamo e a Villa Romana do Montinho das Laranjeiras. (clique para ver imagens)

A Barragem Romana do Álamo, construída em opus incertum (através de cofragem, onde no interior era depositada uma espécie de “pasta” de areia pedras e argamassa), possui cerca de 40 metros de comprimento e seis contrafortes tendo actualmente a altura máxima de 3 metros (e que deve estar próxima da altura máxima inicial).
Em 1877, quando foi descoberta, detectaram-se igualmente outros edifícios com os quais poderá estar relacionada. Um deles, formado por vários compartimentos, com dois tanques contíguos, é considerado uma oficina, talvez uma tinturaria, a qual exigiria um consumo constante de água. O outro poderá ter sido um templo, dado terem-se encontrado, além das sepulturas escavadas nos pavimentos, restos de três estátuas. A barragem está classificada como Monumento de Interesse Público desde 1991.

Villa Romana do Montinho das Laranjeiras (séc. I a.C. a séc. XII/XIII). Monumento classificado de Imóvel de Interesse Público (2004), tem uma ocupação desde o Período Romano até pelo menos o séc. XII ou XIII. A estação arqueológica apresenta ruínas de compartimentos romanos, uma igreja cruciforme visigótica, com influências orientais do séc. VI/VII, e parte de pelo menos duas casas rurais islâmicas, que poderão ter sido ocupadas até à reconquista cristã no século XIII.

A presença visigótica é evidente em Alcoutim, algumas mesmo, numa continuidade de ocupação dos mesmos espaços romanos, como se pode ver na Estação Arqueológica junto a Montinho das Laranjeiras, sensivelmente a oito quilómetros a sul da vila de Alcoutim.

A freguesia de Alcoutim é constituída por dezassete núcleos habitacionais, ou “montes”: Afonso Vicente, Álamo, Balurcos, Corte das Donas, Cortes Pereiras, Corte da Seda, Corte Tabelião, Cruzamento, Guerreiros do Rio, Laranjeiras, Marmeleiro, Montinho das Laranjeiras, Palmeira, S. Martinho, Santa Marta, Torneiro e Vascão.

O seu castelo (foto aqui) fica no cimo do monte, com uma vista lindissima para o rio e para San Lúcar, vila espanhola. Foi construído nos primórdios do século XIV, durante o reinado de D. Dinis, com a clara intenção de criar numa zona de fronteira uma “linha de detenção”, ou pelo menos de vigia. Anteriormente em ruinas, hoje totalmente restaurado, com jardins e muitas sombras, é um lugar agradável de se passar uma tarde de Verão. Na muralha norte construíram um museu arqueológico,onde está uma exposição permanente do paleolítico até aos canhões medievais, que eram utilizados como protecção do castelo.

Autoria: Ategina








terça-feira, outubro 30, 2007

Festas Gastronómicas e Populares - Algarve



São Bartolomeu de Messines promove Semana Gastronómica



Durante uma semana, São Bartolomeu de Messines vai render-se aos melhores sabores tradicionais, muitos deles próprios desta freguesia de Silves.

A 2.ª Semana Gastronómica de São Bartolomeu de Messines vai decorrer entre os próximos dias 3 e 10 de Novembro, com a participação de 12 restaurantes da freguesia.







Castanha é cabeça de cartaz no concelho de Monchique


Dia 1 de Novembro, realizam-se três eventos no concelho de Monchique que pretendem “referenciar um dos produtos serranos mais apreciados e recuperar os tradicionais magustos”.


Em Marmelete, vai decorrer a Festa da Castanha, uma iniciativa da junta de freguesia local que já vai na sua 14ª edição. O evento vai ter lugar no largo junto à Casa do Povo e, para além das castanhas, gratuitas, também vai dispor de barraquinhas com petiscos serranos, com destaque para o porco no espeto, javali e filhós.

A animação será assegurada por Tânia e suas bailarinas, às 18h30, e baile com o acordeonista Fernando Pereira, a partir das 20h00.


No mesmo dia, a junta de freguesia de Alferce promove, junto à Casa do Povo, mais uma edição do Magusto Popular naquela localidade.

Na edição deste ano, os visitantes poderão encontrar as tradicionais castanhas assadas e água pé, assim como uma mostra de produtos e artesanato local, a partir das 11h00.

A animação inclui uma aula de ioga (11h00), uma exposição de bordados na Casa do Povo de Alferce (a partir das 14h00), um baile com Telma Santos (15h00) e um espectáculo com os Broa de Mel (18h00).


O terceiro evento dedicado à castanha no concelho de Monchique é o IV Passeio TT Serra de Monchique – Rota da Castanha, que propõe este ano um percurso turístico todo-o-terreno pelo interior do concelho, nos próximos dias 3 e 4.

Este passeio passará pelas três freguesias do concelho (Alferce, Marmelete e Monchique), “promovendo o conhecimento da gastronomia, das tradições e dos valores monchiquenses”, adianta a organização.